A esponja de cozinha é utilizada diariamente em várias tarefas domésticas, desde lavar loiça a limpar diferentes superfícies. Produzida habitualmente com materiais sintéticos ou naturais, é valorizada pela sua capacidade de absorver e remover facilmente sujidade e restos alimentares. Contudo, esta capacidade absorvente é precisamente aquilo que pode tornar as esponjas num foco de contaminação, pois acumulam frequentemente resíduos de comida e humidade, criando um ambiente ideal para o desenvolvimento de bactérias.
Embora a maioria dos consumidores use esponjas durante vários dias ou semanas, poucos estão cientes do potencial risco sanitário que isso representa. A aparência aparentemente limpa e o cheiro a detergente podem dar uma falsa sensação de segurança, levando ao prolongamento do uso para além do recomendado.
Investigação revela presença alarmante de bactérias
Um estudo conduzido pelo Norwegian Institute of Food, Fisheries and Aquaculture Research (NOFIMA) revelou que as esponjas de cozinha podem abrigar uma quantidade extraordinária de bactérias, chegando mesmo a ultrapassar o número de pessoas no planeta.
Segundo o investigador principal deste estudo, Trond Moretro, embora muitas destas bactérias sejam inofensivas para os humanos, outras são potencialmente perigosas, como é o caso da salmonela.
Estas bactérias sobrevivem facilmente no ambiente húmido das esponjas, mesmo com a presença constante de detergentes.
Além da salmonela, outras bactérias patogénicas como a Escherichia coli e a Listeria monocytogenes também foram identificadas em amostras de esponjas usadas, reforçando a necessidade de atenção à higiene na cozinha. Estas bactérias podem causar infeções intestinais graves, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com o sistema imunitário comprometido.
Como as bactérias se espalham pela cozinha
Moretro alertou que, independentemente da forma como as pessoas limpam ou desinfetam as esponjas, estas mantêm sempre algum grau de humidade e resíduos que favorecem a proliferação dos microrganismos.
Desta forma, estas bactérias podem espalhar-se facilmente para as mãos dos utilizadores, utensílios de cozinha e outras superfícies domésticas.
Este fenómeno é agravado quando a mesma esponja é utilizada para limpar áreas distintas, como bancadas, fogões e tábuas de corte, onde há maior probabilidade de contaminação cruzada. O contacto com carne crua, por exemplo, representa um dos maiores riscos se a esponja não for imediatamente descartada ou desinfetada.
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Escovas de cozinha: a alternativa recomendada
Na mesma investigação, os cientistas analisaram alternativas às esponjas tradicionais, nomeadamente as escovas de cozinha feitas de bambu e cerdas naturais.
Os resultados revelaram que estas escovas têm uma capacidade significativamente maior de se manter secas entre utilizações, reduzindo a presença de bactérias.
As escovas também apresentam maior durabilidade em comparação com as esponjas, o que compensa o investimento inicial. Além disso, algumas versões reutilizáveis podem ser esterilizadas na máquina de lavar loiça, garantindo maior longevidade e higiene com menor esforço.
Trond Moretro destacou especificamente a vantagem das escovas, mencionando que estas secam rapidamente, impedindo a acumulação de humidade, e dispõem de um cabo que protege as mãos do contacto direto com a água e detergentes.
Manutenção correta das esponjas
Por outro lado, Cath Rees, professora de microbiologia da Universidade de Nottingham e coautora do estudo, sublinha que é possível continuar a utilizar esponjas desde que sejam corretamente secas após cada utilização. A secagem eficaz é fundamental para evitar que se tornem um foco de contaminação bacteriana.
Recomendações práticas
Face aos resultados da investigação, os especialistas recomendam algumas medidas preventivas:
- Alternar entre esponjas e escovas, conforme o tipo de limpeza.
- Assegurar sempre a secagem total das esponjas após o uso.
- Substituir regularmente as esponjas para evitar a acumulação de bactérias.
Outra recomendação é evitar guardar esponjas húmidas dentro de recipientes fechados ou junto ao lava-loiça, pois isso impede a ventilação e favorece a formação de colónias bacterianas. Sempre que possível, deve optar-se por locais secos e bem arejados para o armazenamento após a utilização.
Ao seguir estas orientações simples, pode-se melhorar significativamente a higiene doméstica e reduzir os riscos associados ao uso inadequado das esponjas tradicionais.
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