Vários operadores turísticos reportam uma transformação no padrão de férias dos cidadãos britânicos. Em vez dos habituais destinos no sul da Europa, como Portugal e Espanha, há agora uma procura crescente por alternativas fora do espaço comunitário.
De acordo com o jornal The Independent, países do norte de África têm vindo a atrair a atenção deste público, que parece valorizar, sobretudo, o equilíbrio entre custo e qualidade da oferta turística.
Mais voos, novas rotas
A Cirium, empresa especializada em dados de aviação, estima que, em 2025, o número de voos entre o Reino Unido e destinos norte-africanos ultrapasse os 19 mil, mais do dobro dos registos anteriores à pandemia. O mesmo não se verifica para a Península Ibérica, onde os aumentos serão mais comedidos: 10% no caso de Espanha e 9% no de Portugal.
Estes dados parecem indicar um desvio estrutural nas preferências dos turistas. A tendência é reforçada pelas próprias operadoras de viagens, que apontam para uma alteração expressiva na distribuição de reservas.
A Tui, uma das maiores agências de turismo britânicas, reporta um crescimento de 30% nas reservas para o Egipto face ao ano anterior. A Tunísia e Marrocos, por sua vez, registam também aumentos de dois dígitos.
Custo como fator decisivo
Entre os principais argumentos apontados está a acessibilidade. Os destinos fora da União Europeia oferecem, segundo os operadores, unidades hoteleiras de qualidade equivalente a preços mais baixos.
A escolha não parece travada por fatores como a duração dos voos ou as limitações das companhias aéreas de baixo custo, cujos serviços mais básicos, como assentos fixos e ausência de entretenimento continuam a ser aceitáveis para muitos viajantes, desde que compensados pelas condições no destino.
“Relação custo-benefício fantástica”
Chris Logan, director comercial da Tui no Reino Unido, considera que o norte de África oferece “uma relação custo-benefício fantástica”, o que, na sua opinião, coloca uma pressão acrescida sobre os destinos europeus. “Mesmo nos meses de inverno as temperaturas são amenas, o que os torna uma escolha perfeita para viagens durante todo o ano”, afirmou, citado pelo The Independent.
Portugal poderá sentir impacto no médio prazo
Ainda não existem dados que confirmem uma quebra nas chegadas de turistas britânicos a Portugal, mas os sinais de mudança estão a ser monitorizados.
Regiões como o Algarve, fortemente dependentes do turismo externo, poderão ser particularmente sensíveis a alterações nas preferências do mercado.
O sector reconhece que fatores como inflação, custo da energia e aumento das tarifas de alojamento na Europa poderão estar a contribuir para esta deslocação de tráfego turístico.
Mudança conjuntural ou nova realidade?
Alguns analistas sugerem que esta dinâmica poderá ser passageira, influenciada por conjunturas económicas específicas. Outros, no entanto, veem nela indícios de uma alteração mais profunda e duradoura no comportamento dos consumidores.
O reforço da conectividade aérea, bem como o investimento em infraestruturas turísticas no norte de África, sustentam a atratividade destes destinos emergentes, tornando-os competitivos numa escala que antes era dominada por países do Mediterrâneo.
Reação dos operadores será determinante
A forma como os destinos europeus ajustarem a sua oferta poderá ditar a resposta a esta nova concorrência.
Preços, condições de alojamento e promoções fora da época alta estão entre os fatores mais mencionados pelos especialistas citados pelo The Independent.
Embora Portugal mantenha uma imagem sólida no mercado britânico, o crescimento de alternativas viáveis exige atenção redobrada e eventual reposicionamento estratégico.
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