A União Europeia (UE) ativou uma alerta alimentar classificada como “grave” depois de análises a um lote de nectarinas de origem espanhola detetarem níveis elevados do inseticida acetamiprido, acima do limite legal, num carregamento destinado a Itália e travado em controlo fronteiriço.
De acordo com o jornal espanhol El Mundo, a notificação foi registada no Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) a 19 de janeiro de 2026, tendo Itália como país notificante e as nectarinas como produto visado.
Segundo a informação divulgada em notícias que citam o alerta, o lote apresentava 0,27 mg/kg de acetamiprido, quando o máximo permitido é 0,08 mg/kg, motivo que levou à classificação do risco e à retirada do produto.
O que é o acetamiprido e porque há limites
O acetamiprido é um pesticida usado no controlo de pragas agrícolas, mas a legislação europeia define limites máximos de resíduos (LMR/MRL) para proteger o consumidor quando os produtos chegam ao mercado.
Em 2025, a Comissão Europeia publicou alterações aos limites para o acetamiprido, no seguimento de uma revisão toxicológica referida em regulamento, com aplicação a partir de 19 de agosto de 2025.
Na prática, estes limites não significam que um alimento “dentro do LMR” seja automaticamente “zero risco”, mas que está dentro do patamar legal definido para consumo, e, quando há excedências, os Estados-membros podem travar lotes e ordenar recolhas.
O que aconteceu ao lote e onde foi detetado
De acordo com a informação associada à notificação, o lote tinha como destino Itália, que comunicou o caso, e foi durante um controlo fronteiriço que as autoridades intercetaram o carregamento após análises de segurança alimentar.
As autoridades determinaram a retirada do produto para impedir a sua comercialização em supermercados e frutarias, sendo habitual que estes avisos não tragam muitos detalhes públicos sobre o lote específico, além dos elementos essenciais do risco.
Para que serve o RASFF e porque “anda rápido”
O RASFF é o mecanismo europeu que permite às autoridades trocar informação com rapidez sobre riscos em alimentos e rações, para que possam ser tomadas medidas imediatas, como travar remessas, recolher produtos e emitir avisos coordenados.
Este sistema existe desde 1979 e foi criado precisamente para acelerar a resposta a incidentes de segurança alimentar dentro do espaço europeu, funcionando 24 horas por dia para notificações urgentes.
O que devem saber os consumidores
Neste caso, e segundo o El Mundo, a informação disponível aponta para um lote intercetado antes de chegar ao consumidor, o que reduz a probabilidade de ter sido vendido ao público, mas a lógica destas alertas é precisamente evitar “falhas” na cadeia.
Ainda assim, para quem compra fruta com frequência, há regras simples que continuam a fazer sentido: privilegiar canais de venda confiáveis, verificar origem/rotulagem quando disponível e lavar bem fruta e legumes, sem cair em alarmismos, porque o controlo oficial existe para impedir que lotes não conformes cheguem às prateleiras.















