Numa altura em que Espanha avança com novas regras de segurança rodoviária, está prestes a entrar em vigor uma medida que vai obrigar todos os condutores a comprar um dispositivo específico para substituir os tradicionais triângulos de emergência. A partir de 2026, a luz V16 conectada tornar-se-á obrigatória em todos os veículos, o que significa um custo inevitável para milhões de automobilistas espanhóis, segundo o jornal La Razón.
Nos últimos anos, a Dirección General de Tráfico (DGT) tem vindo a preparar o abandono definitivo dos triângulos de sinalização, usados durante décadas nas estradas. A mudança, apresentada inicialmente como um simples avanço tecnológico, ganhou dimensão económica à medida que se tornou claro que todos os condutores terão de adquirir o novo equipamento.
A luz V16 conectada será obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2026 e deverá substituir por completo os triângulos de emergência a partir do final de 2025. Segundo os dados oficiais citados pela mesma fonte, cerca de 25 milhões de condutores em Espanha terão de comprar o dispositivo ao longo dos próximos meses.
Porque é que Espanha vai abandonar os triângulos
A decisão consta do Regulamento Geral de Veículos e foi defendida pela DGT como uma forma de reduzir atropelamentos em situações de avaria. Os triângulos obrigam o condutor a caminhar pelo arcén para os colocar na estrada, um gesto que tem estado na origem de vários acidentes mortais, de acordo com a mesma fonte.
Organismos como o Euro NCAP e o Conselho Europeu de Segurança nos Transportes têm recomendado sistemas luminosos mais visíveis e imediatos, capazes de sinalizar um veículo imobilizado sem que o condutor precise de sair do carro.
É neste contexto que surge a V16 conectada, uma luz que se ativa em segundos e transmite automaticamente a localização do veículo para a plataforma digital da DGT.
Uma obrigatoriedade com custo fixo para milhões de condutores
A luz V16 conectada, que integra geolocalização e comunicação direta com a infraestrutura da DGT, custa atualmente cerca de 40 euros no mercado espanhol. A falta do dispositivo após a data-limite dará origem a multas entre 80 e 200 euros, valores semelhantes aos aplicados noutros elementos de segurança obrigatórios.
O facto de o novo equipamento passar a ser exigido em todos os veículos levou muitos condutores em Espanha a apelidarem a medida de “imposto silencioso”: não se trata de uma taxa cobrada pelo Estado, mas de uma despesa inevitável para qualquer pessoa que circule nas estradas espanholas.
A polémica ganhou força depois de se tornar público que a Administração adquiriu balizas para as forças de segurança a preços significativamente inferiores aos praticados no mercado. Enquanto os consumidores pagam cerca de 40 euros por unidade, o Governo espanhol comprou 11.800 dispositivos por 21,10 euros cada, destinados à Polícia Nacional, refere a mesma fonte.
Questões sobre preço e qualidade levantam dúvidas
Outra discussão prende-se com a origem dos dispositivos. De acordo com o registo oficial da DGT, nove em cada dez modelos homologados vendidos em Espanha são fabricados na China. Embora cumpram as regras estabelecidas, alguns contratos públicos não especificam o modelo exato adquirido, o que tem levantado questões sobre a qualidade de determinadas balizas, segundo aponta o La Razón.
Uma mudança que pode inspirar outros países
A substituição dos triângulos pela V16 está a ser acompanhada de perto por outros Estados europeus. Com o argumento de melhorar a segurança e reduzir atropelamentos, a medida poderá vir a ser replicada em mais países, incluindo Portugal, onde ainda não existe qualquer decisão oficial, mas onde o debate sobre modernização dos equipamentos de segurança tem vindo a ganhar espaço.
















