Durante décadas, os chuveiros de praia fizeram parte da paisagem costeira ibérica, especialmente durante os meses quentes. A água a escorrer pelos pés cheios de areia ao final de um dia de sol tornou-se quase um ritual. No entanto, esta comodidade pode estar prestes a desaparecer das praias portuguesas e espanholas.
A proposta partiu da Associação de Educação Ambiental e do Consumidor (ADEAC), responsável pela atribuição das Bandeiras Azuis. Esta organização está a incentivar a eliminação dos chuveiros de praia como parte de um plano mais amplo de sustentabilidade e gestão eficiente da água.
De acordo com a ADEAC, os chuveiros são usados de forma excessiva por grande parte dos banhistas, levando a um desperdício de recursos hídricos.
O seu presidente, José Palacios Aguilar, afirmou que “vamos continuar a estimular a retirada” mesmo reconhecendo que o abastecimento atual é estável. No entanto, insistiu na necessidade de pensar a longo prazo, defendendo que a água continuará a ser um problema.
Propostas alternativas ganham força
A iniciativa está a ganhar apoio entre associações ambientais, autarquias e movimentos cidadãos que procuram proteger os recursos naturais. A prática de levar garrafas de água para uso pessoal ao sair da praia é uma das soluções apontadas, permitindo a remoção do sal e areia sem recurso a sistemas públicos.
Sanxenxo e a mudança já concretizada
Em Espanha, o município de Sanxenxo, na Galiza, já retirou os chuveiros das suas praias. Segundo a mesma fonte, o impacto foi positivo: “litros e litros de água” foram poupados e não se registaram reclamações por parte dos utentes.
A poupança é significativa
Juan Deza, vereador do Turismo e Praias de Sanxenxo, explicou que antes da medida o consumo rondava os quatro milhões de litros de água por verão. Após a substituição por lava-pés, esse número desceu para menos de 500 mil litros. A diferença representa uma poupança anual de 3,5 milhões de litros, de acordo com a ADEAC.
Catalunha fecha, outras seguem o exemplo
Outras zonas costeiras espanholas seguiram o exemplo. Na Costa Dourada da Catalunha, várias localidades encerraram os chuveiros para este verão.
Em El Vendrell, por exemplo, estuda-se a possibilidade de manter apenas metade das estruturas em funcionamento.
Impacto nas Bandeiras Azuis
Segundo escreve o site Notícias Trabajo, as Bandeiras Azuis podem também influenciar a decisão.
Muitos municípios temem perder este reconhecimento internacional caso não adoptem medidas concretas de poupança de água, mesmo sem obrigatoriedade legal para tal.
Pressão sobre os municípios costeiros
Cidades como Lloret de Mar e Sant Antoni de Calonge ponderam medidas intermédias, como o encerramento nocturno dos chuveiros.
A seca registada em 2024 contribuiu para acelerar esta tendência, com vários equipamentos a serem temporariamente desativados.
Portugal pode seguir o mesmo caminho?
Embora ainda não existam decisões concretas do lado português, a crescente pressão ambiental e a procura por certificações como a Bandeira Azul podem levar os municípios nacionais a seguir o mesmo caminho.
A decisão poderá recair sobre as autarquias, que terão de ponderar entre a comodidade dos utentes e os compromissos ambientais.
Distintivo continua a ser prioridade
Apesar das novas exigências, Espanha continua a liderar o ranking mundial de Bandeiras Azuis. Em 2025, o país obteve 749 distinções, das quais 642 para praias, 101 para portos desportivos e seis para embarcações turísticas, dois a mais do que no ano anterior.
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