Um espanhol que se mudou para este país da União Europeia (UE) ficou surpreendido com a forma como os locais tratam os empregados de mesa, e só com o tempo percebeu que não se tratava de falta de educação, mas de uma diferença cultural. O relato foi partilhado nas redes sociais e tornou-se viral entre quem já viveu uma experiência semelhante.
O utilizador @juristavalhalla recorda os primeiros dias na Noruega, onde começou a trabalhar como empregado de mesa, ainda com pouco domínio do idioma local. O que mais o intrigou foi o facto de os clientes o tratarem por “du”, equivalente a “tu”, algo que em espanhol pode soar grosseiro ou desrespeitoso, segundo o jornal digital HuffPost.
Na altura, estranhou esse tratamento direto, apesar de manter uma atitude cordial. “Eu sorria, mas por dentro pensava: esta gente… ‘tu’ de quê?”, escreveu, ao lembrar a reação inicial que teve ao ouvir os clientes a dirigirem-se-lhe dessa forma.
Uma forma própria de tratar os outros
Com o passar do tempo, e à medida que foi aprendendo a língua e compreendendo melhor os hábitos noruegueses, acabou por perceber que a informalidade no tratamento é comum e não representa qualquer falta de respeito. “É uma forma muito própria deles de dizer ‘olhe, desculpe, pode vir aqui um momento?’”, explicou.
Além dos restaurantes, essa forma de comunicação informal também se aplica a ambientes de trabalho, não só aos empregados de mesa. O próprio utilizador contou que os seus colegas de escritório diziam frequentemente frases como: “Tu, podes ajudar-me com isto?”. Um hábito que acabou por aceitar com naturalidade, sobretudo quando já havia confiança mútua.
Apesar de hoje entender o contexto, o espanhol admite que ainda lhe custa ouvir esse tipo de tratamento aos empregados de mesa, embora já o aceite entre colegas e amigos. “É um ‘tu’ simpático, não é um ‘tu’ de ‘anda cá, pringado’”, resumiu, citado pela mesma fonte.
O episódio levou-o a refletir sobre a importância de não se tirar conclusões precipitadas com base apenas na própria cultura ou experiência. “Foi ignorância minha”, reconheceu, destacando como estas diferenças linguísticas e sociais podem facilmente ser mal interpretadas por quem está de fora.
Vídeo TikTok @juristavalhalla | DR
Situações comuns
Este tipo de situações é comum entre quem emigra ou passa algum tempo no estrangeiro. Palavras ou expressões que num país soam agressivas podem ter um tom perfeitamente neutro ou até afável noutro. O próprio utilizador terminou o seu testemunho com uma nota de aprendizagem: “Serve como lição: não podemos julgar ninguém sem ter todos os conhecimentos”.
Apesar da estranheza inicial, o espanhol acabou por adaptar-se à forma direta dos noruegueses, que considerou “muito própria, mas não ofensiva”. O contacto diário e a integração ajudaram-no a perceber que o que à partida parece indelicado pode, afinal, ser apenas uma questão cultural.
Curiosamente, na Noruega, o uso do tratamento informal é habitual mesmo em contextos profissionais, sendo raramente interpretado como falta de educação. Essa informalidade, explicam vários especialistas em cultura escandinava, citados pelo HuffPost, é vista como sinal de igualdade e proximidade.
O caso deixou muitos utilizadores das redes sociais a partilhar experiências semelhantes, desde mal-entendidos por causa de cumprimentos, a confusões com formas verbais. No fundo, são pequenos choques culturais que fazem parte do processo de adaptação a um novo país.
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