O setor da restauração tem ganho cada vez mais visibilidade nas redes sociais, não só pelas receitas e truques de serviço, mas também pelas denúncias de situações que afetam milhares de trabalhadores de restaurantes diariamente. Um dos nomes que mais se tem destacado neste campo é Jesús Soriano, conhecido como “Soy Camarero”, que utiliza o seu perfil online para dar voz a quem se sente injustiçado nesta profissão.
Jesús Soriano tornou-se uma figura de referência no setor, denunciando más práticas laborais que muitos profissionais enfrentam em silêncio. Nas suas redes sociais (@soycamarero), partilha relatos reais de trabalhadores de bares e restaurantes que vivem situações difíceis no dia a dia.
Entre os temas que aborda estão críticas de clientes a aspetos sem relação com o serviço, além de condições laborais precárias, refere a Infobae.
Os conteúdos que publica incluem denúncias de patrões que impõem jornadas longas, oferecem salários baixos ou exigem tarefas fora do razoável. Com as suas publicações, “Soy Camarero” pretende alertar para o que considera uma realidade muitas vezes ignorada pela sociedade.
Casos que chocam seguidores
Numa das suas mais recentes partilhas, Jesús Soriano divulgou mensagens de um trabalhador que relatou práticas ilegais e perigosas no seu local de trabalho.
Segundo explicou o funcionário, o chefe obriga-o a lavar comida que já está estragada e a servi-la como tapas aos clientes do bar. O mesmo patrão, segundo a mesma fonte, exige ainda que lave palitos de madeira usados nas hambúrgueres para os reutilizar noutras doses.
Estas revelações geraram uma onda de indignação junto dos seguidores de “Soy Camarero”, que denunciaram a gravidade das situações.
Nas imagens partilhadas, é possível ver comida em mau estado de conservação ao lado de palitos lavados com outros talheres, prontos a serem usados novamente. “É nojento e angustiante. Obriga-me a lavar tudo com água e a colocar nas tapas do bar”, contou o trabalhador em mensagem ao mesmo.
Reações nas redes sociais
Jesús Soriano revelou que, após receber estas mensagens, orientou o trabalhador a contactar a Inspeção do Trabalho para apresentar denúncia formal.
Partilhou o número de telefone e o site oficial onde o funcionário poderia registar queixa sobre as práticas ilegais do empregador. Apesar de muitos estabelecimentos cumprirem as regras de segurança alimentar, casos como este continuam a existir, colocando em risco a saúde pública, de acordo com a fonte anteriormente mencionada.
Testemunhos de outros profissionais
Após a publicação, vários utilizadores partilharam nos comentários experiências semelhantes vividas noutros locais de trabalho. Um deles relatou que era obrigado a lavar bifes de lombo com molho, sobrantes do menu, para serem reutilizados em sandes.
Outro explicou que todos os restos das tapas eram reaproveitados, voltando para a panela para fazer croquetes ou estufados, segundo a mesma fonte. Este trabalhador disse ainda que, caso quisesse deitar alguma coisa fora, teria de o fazer às escondidas para não ser repreendido pelo patrão.
Lavagem de gomos de limão
Outra utilizadora contou que a filha trabalhou num bar onde o dono a obrigava a lavar os gomos de limão já usados para voltarem a ser colocados nos copos dos clientes.
Segundo os testemunhos, citados pela Infobae, estas práticas têm como objetivo principal reduzir custos ao máximo, mesmo que isso comprometa a segurança alimentar. No entanto, muitos utilizadores reforçaram que nem todos os restaurantes ou bares recorrem a estas atitudes condenáveis.
Importância das inspeções regulares
Os seguidores defenderam que denúncias como esta devem ser apresentadas às autoridades competentes, como a Inspeção do Trabalho ou a ASAE. O controlo regular garante a segurança dos consumidores e a proteção dos profissionais destes restaurantes, que muitas vezes sofrem em silêncio. Jesús Soriano sublinhou que dar voz aos trabalhadores da restauração ajuda a expor realidades escondidas e a melhorar as condições laborais no setor.
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