Durante anos, a Turquia foi o destino de eleição para milhares de turistas britânicos à procura de sol, mar e preços acessíveis. No entanto, essa realidade parece estar a mudar. Um estudo recente revela que as reservas de hotel diminuíram consideravelmente, à medida que o país perde o estatuto de destino económico e os custos aumentam a um ritmo preocupante, de acordo com o portal britânico Chronicle Live. Segundo dados da mesma fonte, umas férias neste país podem agora custar quase o dobro de umas semelhantes na Grécia.
Custos sobem, turistas recuam
Cidades como Istambul e Ankara continuam a atrair visitantes, tal como as zonas balneares de Antalya e Bodrum. Ainda assim, o número total de turistas está a cair. Os preços da hotelaria e da restauração tornaram-se, em muitos casos, comparáveis aos de Espanha ou Grécia, o que afasta quem procura férias com orçamento controlado.
O impacto neste destino já se faz sentir, segundo a mesma fonte. Entre janeiro e maio de 2025, a Turquia registou uma quebra de 0,15% nas entradas turísticas face ao mesmo período de 2024. Apesar de parecer residual, a queda é significativa num mercado que costumava crescer a dois dígitos.
Kvanç Meriç, presidente da Associação das Agências de Viagens de Esmirna, não tem dúvidas: “A situação económica interna é a principal razão pela qual o turismo está a sofrer.” O mesmo responsável sublinha que o país perdeu a vantagem do câmbio e que os turistas estão agora a escolher destinos onde o custo-benefício é mais equilibrado.
Comparações difíceis com a concorrência
Um pacote de férias familiar em Antalya pode ultrapassar as 150 mil liras turcas, cerca de 2.750 libras (cerca de 3.175 euros), segundo o Express, citado pela mesma fonte. Por contraste, umas férias semelhantes na Grécia podem ficar entre 1.460 (1685 euros) e 1.830 libras (2112 euros).
Com a inflação interna a afetar bens essenciais como energia, alimentação ou produtos de limpeza, os operadores turísticos enfrentam aumentos consideráveis nos custos de funcionamento. Esta pressão está a refletir-se nos preços finais e a comprometer as margens de lucro, mesmo quando a taxa de ocupação se mantém estável.
O fim da vantagem cambial
Durante muito tempo, a Turquia beneficiou de uma taxa de câmbio favorável face ao euro e à libra esterlina, o que permitia aos estrangeiros gastar mais por menos. Atualmente, essa vantagem foi esbatida. “Já não somos vistos como um destino barato”, admitiu Serdar Bayraktar, coordenador-geral da LMX Touristic Turkey.
As restrições fiscais e os aumentos nos produtos importados, fundamentais para a atividade turística, agravam ainda mais a perceção de que o país se tornou caro para o visitante estrangeiro.
Declínio do interesse britânico e alemão
A quebra na procura não afeta apenas os turistas britânicos. Dados do setor revelam um recuo no número de visitantes oriundos da Alemanha, da Bulgária e da Rússia: três dos principais mercados emissores da região, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Apesar disso, a Turquia continua a registar números absolutos elevados: em 2024, o país superou a Itália com mais de 56 milhões de turistas internacionais. Contudo, especialistas citados pelo portal Chronical Live alertam que o foco em quantidade, sem rever a estrutura de preços, poderá colocar em risco a rentabilidade do setor.
Um apelo ao equilíbrio
Burhan Sili, presidente da associação turística ALTID, defende que é preciso “rever o equilíbrio entre preço e qualidade”. Para os empresários do setor, o desafio passa por continuar a atrair visitantes sem sacrificar a rentabilidade num contexto de concorrência global cada vez mais exigente.
A Turquia, que durante décadas se afirmou como sinónimo de férias económicas, enfrenta agora um reposicionamento forçado. Se nada for feito, o país poderá ver esvaziar-se uma das suas maiores fontes de receita.
















