Algumas das mais populares localidades da ilha espanhola de Maiorca estão a registar uma inesperada quebra no número de turistas, numa altura em que as férias de verão já decorrem em pleno. A Federação Empresarial Hoteleira de Maiorca (FEHM) destaca Sóller, a noroeste, e Capdepera, a este, como os pontos mais afetados.
Segundo María José Aguiló, vice-presidente executiva da FEHM, em declarações ao jornal britânico Express: “embora ainda não existam estatísticas oficiais, a informação recolhida junto das nossas associações indica que Capdepera, fortemente dependente do turismo alemão, e Sóller estão a sentir as maiores quebras na afluência”.
O mercado britânico está igualmente a dar sinais de estagnação, e os turistas provenientes dos países nórdicos mostram-se cada vez mais influenciados pelas mensagens negativas que têm vindo a circular sobre o turismo na região.
Hotéis meio vazios e restaurantes com menos movimento
A meio da estação alta, o cenário em Sóller e Capdepera é atípico: esplanadas com poucas pessoas, estacionamento fácil e uma quebra generalizada no movimento comercial. Vários negócios locais estão a sentir o impacto, com bares, cafés e restaurantes a reportarem menos clientes.
De forma inusitada, alguns estabelecimentos decidiram conceder férias aos seus empregados de mesa durante o mês de julho, uma medida rara nesta época, tradicionalmente marcada por grande afluência. Outros optaram por suspender contratações previamente planeadas.
Segundo o jornal Majorca Daily Bulletin, estas alterações têm origem numa quebra nas previsões de ocupação hoteleira desde maio, uma tendência que se tem prolongado pelos meses seguintes.
Reservas incertas e protestos contra o turismo em massa
A FEHM salienta que se estão a verificar dois padrões distintos: reservas feitas com muita antecedência e marcações de última hora, o que dificulta uma antecipação precisa da procura.
Outro fator que pode estar a influenciar o comportamento dos turistas são os protestos contra o turismo de massas. Em Palma e Magaluf, milhares de pessoas têm saído à rua com mensagens como “Menos turistas, mais qualidade de vida” e “O nosso território não está à venda”.
As manifestações, que atraíram até 8.000 participantes, alertam para problemas como a escassez de habitação, a pressão sobre as infraestruturas locais e o impacto ambiental. A plataforma Menys Turisme Més Vida lidera o movimento e defende medidas como a limitação dos alojamentos turísticos e a proibição de novas unidades hoteleiras.
Perspetivas mistas para o resto da época
Apesar deste contexto, a FEHM mantém um discurso de moderação. A entidade acredita que a época turística de 2025 poderá vir a ter resultados semelhantes aos de 2024, embora com variações consideráveis consoante as regiões e mercados de origem.
De acordo com o Express, a federação promete divulgar uma análise mais detalhada assim que tiver acesso aos dados completos. Para já, o verão de 2025 em Maiorca continua envolto em incerteza, e as autoridades e agentes do sector olham com atenção para a evolução das próximas semanas.
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