Em várias partes do mundo, existem ilhas que carregam histórias tão sombrias que se tornaram símbolos de medo e mistério. Lugares onde o tempo parece ter parado, marcados por acontecimentos trágicos, doenças ou guerras, e que continuam envoltos em lendas. Uma dessas ilhas, conhecida como a “Ilha dos Fantasmas”, situa-se na Europa, perto de um dos destinos turísticos mais famosos do mundo, e é conhecida pela sua reputação assustadora e por estar interdita a visitantes comuns.
Localização estratégica e temida
Nem todas as ilhas italianas convidam a banhos de sol e lazer. Situada a poucos quilómetros de Veneza, Poveglia é considerada uma das mais assustadoras do mundo. Conhecida como a “Ilha dos Fantasmas”, como lhe chama o Daily Mail, o seu passado está marcado por histórias de morte, doença e sofrimento que a tornaram proibida para turistas.
Poveglia está localizada na lagoa veneziana, entre Veneza e o Lido, e é composta por três pequenas ilhas. Uma delas foi deixada ao cuidado da natureza, outra serviu como base militar e a principal alberga construções hoje abandonadas e envoltas em lendas.
Segundo a mesma fonte, a ilha conta com um hospital psiquiátrico desativado, uma antiga torre sineira usada como farol e edifícios militares degradados que aumentam o seu ambiente sombrio. Os visitantes estão proibidos de entrar em Poveglia, não apenas pelo medo das histórias que a rodeiam, mas sobretudo pelo perigo de ruína dos edifícios, que apresentam risco de colapso.
Primeiros habitantes e guerras
A ilha foi habitada desde o século V, quando pessoas fugiram de invasões bárbaras para procurar segurança nas ilhas da lagoa de Veneza. No século XIV, Poveglia foi palco de conflitos militares durante as guerras entre Veneza e Génova, acabando por ser abandonada após destruição.
Durante séculos, permaneceu deserta até que, no século XVIII, ganhou nova utilidade, mas por razões nada agradáveis para quem lá era levado.
Estação de quarentena mortal
No final do século XVIII, as autoridades transformaram Poveglia num posto de quarentena, conhecido como “lazareto”. Segundo a mesma fonte, qualquer pessoa que apresentasse sintomas de peste negra ou outras doenças contagiosas era levada para lá, muitas vezes contra a sua vontade, permanecendo isolada até recuperar ou morrer. Esta realidade fez nascer o medo em Veneza, pois quem era transportado para Poveglia dificilmente regressava.
Vítimas em números assustadores
Estudos históricos indicam que cerca de 160 mil pessoas morreram na ilha durante os surtos de peste. Os corpos eram queimados ou enterrados em valas comuns, criando um solo composto por cinzas humanas, segundo refere o historiador Guido Vianello, especialista em história veneziana.
Os habitantes locais acreditam que metade do solo de Poveglia é formado por restos mortais e cinzas daqueles que ali perderam a vida.
Construção do asilo psiquiátrico
Em 1922, a ilha foi escolhida para acolher um hospital psiquiátrico, que funcionou até 1968. Os registos históricos mostram que o asilo albergava doentes com perturbações mentais graves, muitos dos quais sem qualquer tipo de visita ou apoio familiar.
Conforme relata o Venice Insider, existem relatos de tratamentos cruéis aplicados aos pacientes, como lobotomias sem anestesia, prática comum naquela época, mas que aumentou a aura sombria do local, refere ainda a fonte anteriormente citada.
Relatos de fenómenos paranormais
Moradores de Veneza dizem ouvir gritos e campainhas à noite, apesar de Poveglia estar desabitada há décadas. Alguns pescadores recusam aproximar-se da ilha, temendo as almas penadas que acreditam vaguear pelos corredores vazios. Este medo foi reforçado por programas como “Ghost Adventures” e documentários sobre locais assombrados, que gravaram episódios em Poveglia.
Tentativas de venda falhadas
Em 2014, o governo italiano tentou leiloar a ilha para reabilitação turística ou cultural. Um empresário venceu a concessão, mas o projeto acabou cancelado devido à falta de financiamento, conforme noticiado pelo The Guardian, citado pela mesma fonte. Atualmente, a “Ilha dos Fantasmas” continua sob gestão estatal, sem planos concretos para abertura ao público, mantendo o estatuto de “ilha proibida”.
Apesar da proibição, há quem tente visitar a ilha ilegalmente, atraído pelo fascínio do proibido e pelas histórias de terror. Agências como a GetYourGuide alertam que visitas sem autorização oficial implicam multas elevadas e riscos graves de acidente.
Património cultural ignorado
Especialistas em património, citados pelo Daily Mail, defendem que Poveglia poderia ser reabilitada como museu ou memorial histórico, valorizando o passado trágico em vez de o ocultar. No entanto, as autoridades receiam os elevados custos e a complexidade estrutural das obras de recuperação.
A “Ilha dos Fantasmas” serviu de inspiração para livros e filmes de terror, além de ser frequentemente mencionada em roteiros de turismo paranormal. O seu nome está hoje associado a medo e morte, mas também a mistério e curiosidade histórica. Para já, Poveglia permanece encerrada a visitas turísticas comuns. As autoridades de Veneza confirmam que, além dos riscos estruturais, pretendem respeitar a memória dos milhares que ali morreram.
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