Portugal regista, desde o início de dezembro, um excesso de mortalidade de cerca de 22%, associado ao frio e à epidemia de gripe, com um aumento proporcional das mortes por doenças respiratórias, segundo uma análise preliminar da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Num balanço divulgado à agência Lusa, a DGS e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) explicam que este excesso de mortalidade é compatível com a fase epidémica da gripe sazonal, atingindo com maior incidência os grupos etários mais avançados, a partir dos 65 anos – em particular a população com 85 e mais anos – por ser mais vulnerável aos efeitos combinados das infeções respiratórias e das temperaturas extremas.
“Observa-se igualmente um ligeiro aumento das mortes por doenças cardiovasculares e metabólicas, fenómeno frequentemente associado à exposição prolongada ao frio, sobretudo em populações mais idosas e com doença crónica prévia”, refere o balanço da DGS e do Insa.
As duas entidades sublinham ainda que “estes padrões são consistentes com o que historicamente se observa durante períodos de circulação intensa de vírus respiratórios e condições climáticas adversas, não havendo, até ao momento, indícios de fatores extraordinários ou inesperados”.
Mortes por doenças respiratórias aumentam e Algarve surge cedo no padrão regional
Os dados da DGS e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge indicam “um aumento proporcional da mortalidade por doenças do aparelho respiratório”, que passou de 9,7% no início da época gripal (semana de 29 de setembro a 5 de outubro de 2025) para 17% no período mais recente (semana de 22 a 28 de dezembro).
Do ponto de vista geográfico, o excesso de mortalidade foi identificado em todo o território continental, embora as regiões Norte, Centro e Algarve tenham sido as primeiras a sentir este impacto, segundo o balanço.
Um comportamento semelhante foi observado no número de consultas por síndrome gripal em Portugal, o que aponta para uma disseminação da epidemia de gripe, neste inverno, de norte para sul.
“Ainda assim, verifica-se um excesso proporcional ligeiramente superior nas regiões
do Alentejo e do Algarve, diferenças que refletem a interação de diferentes fatores como maior hesitação vacinal e fatores demográficos e de privação socioeconómica estruturais próprios destas regiões”, salientam a DGS e o Insa.
Atividade gripal subiu no final de novembro e frio prolongado agrava riscos
A DGS e o Insa recordam que, cerca de uma a duas semanas antes do início deste período de excesso de mortalidade, foi detetado um aumento da atividade gripal, que atingiu nível epidémico no final de novembro.
Além disso, a circulação de um subtipo de gripe H3N1 está, em geral, associada a um maior impacto na mortalidade.
“Em paralelo, Portugal regista um período prolongado de temperaturas baixas, com impacto conhecido na descompensação de doenças crónicas, em particular respiratórias e cardiovasculares”, adianta ainda a DGS.
Perante a fase epidémica, a autoridade de saúde refere que reforçou desde o início a comunicação dirigida à população, apelando à vacinação dos grupos de risco e à adoção de comportamentos que reduzam o risco de gripe, como etiqueta respiratória e higiene das mãos.
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