O distrito de Faro foi o que registou o maior número de crimes e outras formas de violência contra crianças e jovens nos últimos quatro anos, com 24,4% do total nacional, segundo dados divulgados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) no passado dia 8 de abril.
No mesmo período, a associação apoiou 13.039 crianças e jovens vítimas de crime e violência entre 2022 e 2025, num retrato marcado pelo agravamento dos casos e pela forte subida do abuso sexual.
De acordo com as Estatísticas APAV, o número de crianças e jovens apoiados aumentou 52,4% ao longo dos últimos quatro anos. Em comunicado, a associação sublinha que “em média, a APAV apoiou 272 crianças e jovens por mês, o equivalente a 63 por semana e 9 por dia”.
No total, foram registados 23.935 crimes e outras formas de violência contra menores neste período. A violência doméstica surge como a tipologia mais frequente, representando 61,7% das situações, seguida dos crimes sexuais, com 31,8%, e de outras formas de crime e violência, com 6,5%.
Entre os crimes sexuais, a APAV destaca “o aumento expressivo” das situações de abuso sexual de crianças, que passaram de 390 casos em 2022 para 864 em 2025, o que corresponde a uma subida de 121,5%. Os dados revelam ainda que a maioria das vítimas são meninas ou raparigas, enquanto os rapazes representam 39,9% dos casos.
Incidência mais elevada entre os 11 e os 14 anos
Quanto às idades, a incidência mais elevada foi registada entre os 11 e os 14 anos (30,9%), seguindo-se o grupo dos 6 aos 10 anos (26,9%), as crianças dos 0 aos 5 anos (20,3%) e os jovens entre os 15 e os 17 anos (21,9%).
No que toca aos agressores, a associação refere que eram maioritariamente homens (61,9%). Em 39,6% das situações, o agressor identificado era a mãe ou o pai, o que, segundo a APAV, evidencia a proximidade entre vítima e agressor. Em 7,7% dos casos, tratava-se de madrasta ou padrasto, e em 3,1% de colegas da escola ou do trabalho.
O peso do distrito de Faro neste retrato nacional coloca o Algarve no centro das preocupações no que toca à proteção de crianças e jovens vítimas de violência, surgindo à frente de Lisboa (14,5%) e de Braga (10,2%) no número de crimes registados.
A APAV disponibiliza apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, gratuita nos dias úteis entre as 08:00 e as 23:00, do Chatbot APAV, disponível em permanência, e da sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.
Nos casos de abuso sexual de crianças e jovens, a associação conta ainda com a resposta especializada APAV CARE, destinada ao acompanhamento integrado das vítimas.
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