O Aeroporto de Faro está prestes a registar um aumento na sua operação regular comercial para o Inverno IATA 2025/26, que decorre de 26 de outubro de 2025 a 28 de março de 2026. Segundo dados do agregador mundial de informação aeronáutica Cirium, analisados pelo especialista Pedro Castro, diretor e fundador da SkyExpert – uma empresa de consultoria especializada em aviação, aeroportos e turismo –, o aeroporto algarvio verá um crescimento de quase 3,5% no número de voos e de 5% nos lugares disponíveis, comparativamente ao período homólogo de 2024/25.
De acordo com a análise de Pedro Castro, as chegadas programadas a Faro durante esta temporada totalizarão 7081 voos, face aos 6843 registados em 2024/25, representando um incremento de cerca de 3,5%. Já os lugares disponíveis nesses voos ascenderão a 1.342.309, superior aos 1.278.062 do inverno anterior, o que equivale a um crescimento de 5%. Este desfasamento entre o aumento de voos e de lugares deve-se ao uso de aviões de maior capacidade: cada voo que aterra em Faro terá, em média, 189,6 lugares, mais três do que os 186,6 lugares médios em 2024.
Crescente do tráfego não-Schengen
“Mais do que o número de voos, o que conta para um aeroporto como Faro é a capacidade efetiva oferecida aos passageiros. Faro mostra uma evolução saudável porque o crescimento é puxado por aviões maiores e mais eficientes”, sublinha Pedro Castro na sua análise preparada para o Postal do Algarve. Um aspeto destacado na análise é o peso crescente do tráfego não-Schengen.

Os mercados do Reino Unido, Irlanda e Canadá terão, este inverno, um impacto ainda maior: quase 51% dos lugares disponíveis provêm de países fora do espaço Schengen, um valor superior aos menos de 50% registados em 2024. Além disso, a capacidade média por voo oriundo destes mercados é de 193,2 lugares, superior à média global, o que contribui para esta maior percentagem de lugares. Este cenário, segundo Pedro Castro, pressiona a infraestrutura do aeroporto, particularmente na área não-Schengen: “Se metade dos passageiros em Faro chegam de fora do espaço Schengen, é inevitável que a ANA Aeroportos de Portugal tenha de investir na zona de controlo de passaportes.
O conforto na chegada é hoje um fator muito valorizado pelos passageiros, em especial para quem chega em voos de longo curso como será cada vez mais o caso em Faro”, destaca o especialista.
Apesar deste crescimento, a operação em Faro continua fortemente dependente dos quatro principais mercados emissores: Reino Unido, Alemanha, Países Baixos e Irlanda concentram 72,8% dos lugares em 2025, acima dos 71,2% de 2024. “Se por um lado esta concentração reforça a fidelidade dos mercados-chave, por outro expõe Faro a riscos de estagnação ou instabilidade, consoante a situação nesses países. A prometida diversificação de mercados continua a ser mais uma ambição no papel do que uma realidade e é preciso atrair mais voos diretos para o Leste europeu, Escandinávia”, alerta Pedro Castro.
Crescimento notável nos domésticos
Por outro lado, os voos domésticos mostram um crescimento notável, apesar da suspensão da rota Faro–Funchal da TAP durante o inverno. Estes voos representam agora quase 11% do total das operações, quando em 2024 não chegavam aos 10%. Para esta temporada, Faro tem programadas 766 chegadas domésticas, um aumento de 95 face ao ano anterior. Este incremento deve-se sobretudo à Ryanair na rota Porto–Faro, com 238 voos previstos (face a 172 em 2024), e à Azores Airlines na rota Ponta DelgadaFaro, com 66 voos (face a 44 em 2024).
A análise de Pedro Castro inclui ainda uma comparação histórica que ilustra o contraste de estratégias entre companhias: a Ryanair, na rota Porto–Faro, iniciou operações no Inverno de 2009 com 87 voos (16.443 lugares) e evoluiu para 238 voos em 2025 (46.230 lugares). Já a TAP, na rota Lisboa–Faro, manteve os mesmos 462 voos de inverno entre 2009 e 2025, limitando-se a trocar os Embraers (116 lugares) por Airbus A320 (164 lugares). “Enquanto a Ryanair apostou na expansão e captação de tráfego, inclusivamente na criação de uma base operacional, a TAP manteve-se imóvel, mesmo num contexto em que o tráfego em Faro duplicou nestes 16 anos. Este é um sinal claro da diferença de estratégias: umas companhias exploram o potencial, outras defendem o status quo”, observa o diretor da SkyExpert.
Na conclusão da sua análise, Pedro Castro resume que o Inverno IATA 2025/26 em Faro revela um crescimento moderado mas sólido (+3,5% em voos e +5% em lugares), um peso cada vez maior do tráfego não-Schengen (51%), uma concentração em mercados tradicionais (72,8%) e uma dinâmica crescente do tráfego doméstico, sobretudo com companhias low-cost. No entanto, identifica riscos como a falta de diversificação de mercados e a sazonalidade do acesso aéreo – na temporada de verão existem 4,6 milhões de lugares a chegar a Faro, mais do que o triplo dos lugares no Inverno –, a capacidade limitada no controlo de passaportes e a estagnação estratégica da TAP.
Esta análise, baseada exclusivamente em dados da Cirium e elaborada por Pedro Castro, sublinha a necessidade de investimentos e estratégias mais ambiciosas para potenciar o Aeroporto de Faro como porta de entrada para o turismo algarvio durante todo o ano.
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