O aumento do custo de vida está a tornar cada vez mais difícil chegar ao fim do mês para muitas famílias, mas o desafio ganha outra dimensão quando o agregado familiar é composto por 12 pessoas, incluindo 10 filhos. É esta a realidade vivida pela família Puche Martínez, em Espanha, que tenta equilibrar contas num contexto de inflação persistente e despesas essenciais em constante crescimento.
Chegar ao fim do mês já não é simples para a maioria dos lares, mas quando a casa está longe de ser pequena, o esforço financeiro multiplica-se. No caso desta família, cada decisão tem impacto direto no orçamento mensal, obrigando a uma gestão rigorosa de todas as despesas.
Num reportagem publicada pelo jornal digital espanhol Noticias Trabajo, os pais explicaram como tentam compatibilizar os gastos fixos com os rendimentos disponíveis. “Os nossos dois salários somam cerca de 4.000 euros, gastamos 1.500 euros só em alimentação e recebemos uma ajuda anual de 1.200 euros”, relatam. São estes números que definem o dia a dia da família, onde entram ainda despesas com habitação, escola, roupa, água, eletricidade e outros bens essenciais.
Alimentar 12 pessoas é um custo permanente
A logística diária é complexa, mas o impacto económico é ainda mais evidente. Numa casa com crianças de várias idades, cada refeição representa um esforço coletivo e um custo fixo difícil de reduzir. “Somos 12 para o pequeno-almoço, para o lanche e para o jantar”, explicam.
O dado que melhor ilustra a dimensão do orçamento mensal é claro: “Só em comida estamos a gastar cerca de 1.500 euros por mês”. Um valor que se mantém relativamente estável, devido à necessidade de garantir refeições completas a crianças em fase de crescimento.
Com este nível de despesa, o espaço para imprevistos ou compras não essenciais é praticamente inexistente. Qualquer gasto fora do planeado obriga a ajustes imediatos noutras áreas do orçamento, de acordo com a mesma fonte.
Apoios existem, mas são insuficientes
A família, com 10 filhos, beneficia de alguns apoios associados ao estatuto de família numerosa. “Temos também um bono social, que nos dá um pequeno desconto”, explicam. Ainda assim, consideram que esse apoio está longe de compensar o volume de despesas de um agregado com dez filhos.
Segundo relatam, a ajuda anual recebida não chega sequer para cobrir um mês inteiro de compras de supermercado. Na prática, toda a economia familiar assenta numa gestão apertada, onde cada rubrica tem de ser cuidadosamente controlada.
Janeiro é o mês mais difícil
Entre os períodos mais complicados do ano, janeiro surge como o mais exigente. Depois das despesas associadas às festas e da retoma da rotina escolar e profissional, o orçamento fica especialmente pressionado.
“Este mês estamos a tentar voltar à rotina pouco a pouco. Temos de nos organizar e ser responsáveis com o que temos mês a mês”, reconhecem. Essa organização implica cortar em pequenos “caprichos” durante algumas semanas, para garantir que o essencial não falha, dizem, citados pela mesma fonte.
Um retrato das famílias numerosas em Espanha
O caso da família Puche Martínez reflete uma realidade mais ampla. O aumento generalizado dos preços e o declínio da natalidade têm vindo a alterar profundamente as decisões familiares. As famílias numerosas, em particular, sentem de forma mais intensa qualquer subida no custo de bens essenciais.
Em Espanha, o Ministério dos Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030 indicava que, em 2023, existiam cerca de 818.585 famílias numerosas registadas, maioritariamente com três filhos, embora existam situações excecionais como esta família murciana, com 10 filhos menores a cargo, de acordo com o Noticias Trabajo.
E se esta situação fosse em Portugal?
Se este cenário fosse transposto para Portugal, as dificuldades seriam, em muitos aspetos, semelhantes ou até mais acentuadas. As famílias numerosas portuguesas enfrentam igualmente um contexto de aumento do custo de vida, sobretudo nos preços da alimentação, da energia e da habitação.
Em Portugal, existem apoios específicos para famílias numerosas, como majorações no abono de família, tarifas sociais de energia e água, e alguns benefícios fiscais. No entanto, tal como em Espanha, estes apoios raramente acompanham o crescimento real das despesas mensais, especialmente em agregados com muitos filhos.
Com salários médios mais baixos e um poder de compra mais limitado, uma família portuguesa com dez filhos teria de recorrer a uma gestão ainda mais rigorosa do orçamento, dependendo fortemente de apoios sociais e de uma contenção constante dos gastos. O caso espanhol ajuda, assim, a ilustrar um problema que não é exclusivo de um país, mas comum a muitas famílias numerosas em toda a Europa.














