O preço das casas em Portugal continua a aumentar a um ritmo muito superior ao dos salários, agravando as dificuldades de quem pretende comprar habitação. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, entre junho de 2025 e junho de 2026, o valor mediano por metro quadrado aumentou 380 euros, enquanto o salário bruto médio dos trabalhadores cresceu apenas 89 euros.
De acordo com o Jornal de Notícias (JN), esta evolução mostra um agravamento da diferença entre o custo da habitação e os rendimentos dos portugueses, sobretudo nas principais áreas metropolitanas do país.
Casas já custam 2445 euros por metro quadrado em Portugal
Segundo os dados divulgados pelo INE esta sexta-feira, 23 de outubro, o preço mediano das habitações vendidas em Portugal atingiu os 2445 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026.
Este valor representa um aumento de 380 euros relativamente ao mesmo período do ano anterior, quando o preço mediano se situava nos 2065 euros por metro quadrado.
Na prática, uma habitação de 100 metros quadrados, considerando o valor mediano nacional, corresponderia a 244 500 euros, mais 38 mil euros do que um ano antes. Trata-se de uma comparação ilustrativa, uma vez que os preços variam consoante a localização e as características dos imóveis.
Ao mesmo tempo, o aumento de apenas 89 euros no salário bruto médio evidencia a dificuldade dos rendimentos em acompanhar a valorização do mercado imobiliário. Importa, contudo, distinguir as duas medidas, uma vez que o preço das casas é apresentado por metro quadrado e o salário corresponde a um rendimento mensal.
Grande Lisboa regista subidas acentuadas e Loures destaca-se
A pressão sobre os preços é particularmente evidente na Grande Lisboa, onde vários concelhos apresentam valores superiores à mediana nacional.
Entre os municípios analisados, Loures destacou-se com um aumento de 864 euros por metro quadrado no espaço de um ano, a maior subida absoluta identificada nos dados citados pelo JN.
Este crescimento representa um agravamento significativo dos custos de aquisição de habitação num concelho que, pela proximidade à capital, constitui uma alternativa para muitas famílias que procuram casa fora do centro de Lisboa.
Porto continua a ser o concelho mais caro da sua área metropolitana
Na Área Metropolitana do Porto, o preço mediano por metro quadrado atingiu os 2669 euros, depois de um aumento de 391 euros face a junho de 2025.
A subida corresponde a aproximadamente 17% num ano, demonstrando que a pressão imobiliária não se limita à região de Lisboa.
O Porto mantém-se como o concelho mais caro para comprar casa dentro da respetiva área metropolitana, segundo a informação avançada pelo Jornal de Notícias.
A valorização dos imóveis estende-se, contudo, a outros municípios da região, com a maioria dos concelhos das duas principais áreas metropolitanas a apresentar preços superiores ao valor mediano nacional.
Comprar casa exige um esforço financeiro cada vez maior
A diferença entre a evolução dos salários e dos preços da habitação levanta dificuldades adicionais para quem pretende adquirir a primeira casa, particularmente entre os jovens e as famílias com rendimentos médios.
Mesmo quando os salários aumentam, a valorização dos imóveis pode obrigar os compradores a acumular uma entrada inicial mais elevada ou a recorrer a financiamentos de maior dimensão.
Os números divulgados pelo INE surgem numa altura em que a crise da habitação continua no centro do debate público, com manifestações previstas para este sábado, 24 de outubro, em várias cidades portuguesas.
Embora a evolução dos preços por metro quadrado não permita, por si só, determinar o esforço financeiro necessário para comprar casa, os dados confirmam que a habitação continua a encarecer a um ritmo muito superior ao crescimento nominal dos rendimentos médios.
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