A construção de um novo mega-aeroporto na Polónia está a ganhar forma e promete alterar profundamente o mapa do transporte aéreo na Europa, com ambições claras de se afirmar como um dos maiores hubs do continente. O projeto, pensado para responder ao crescimento do tráfego aéreo e à necessidade de ligações mais rápidas, surge como uma aposta estratégica do país para as próximas décadas.
O futuro Port Polska deverá localizar-se entre Varsóvia e Łódź e tem como objetivo receber cerca de 40 milhões de passageiros por ano. A dimensão prevista coloca-o ao nível de grandes infraestruturas europeias como London Heathrow e Istanbul Airport.
Um projeto ambicioso com novo impulso político
A iniciativa foi originalmente aprovada em 2017, mas enfrentou vários atrasos devido a um escândalo de corrupção associado ao anterior governo. O projeto ficou então marcado por polémica e por dúvidas quanto à sua execução, de acordo com o portal especializado em economia e negócios Executive Digest.
Após a mudança política em 2023, o atual primeiro-ministro, Donald Tusk, garantiu um “novo começo limpo” para o aeroporto, afirmando que esta infraestrutura irá transformar profundamente as viagens dentro do país e as ligações internacionais.
Investimento de 30 mil milhões de euros
As autoridades polacas aprovaram um investimento de cerca de 131 mil milhões de zlotys, o equivalente a aproximadamente 30 mil milhões de euros. O início das obras está previsto para o próximo ano, com a inauguração apontada para 2032.
O complexo ocupará uma área de 2.585 hectares e incluirá não apenas pistas e terminal de passageiros, mas também uma grande estação ferroviária e ligações rodoviárias estratégicas, criando um verdadeiro hub multimodal.
Pistas, comboios e acessos rápidos
Na fase inicial, o aeroporto contará com duas pistas paralelas, cada uma com cerca de 4.000 metros de comprimento. Está já prevista a possibilidade de construção de uma terceira e até de uma quarta pista numa fase posterior.
Cerca de 40% dos passageiros deverão chegar ao aeroporto de comboio, sobretudo a partir de Varsóvia, com um tempo estimado de viagem de cerca de 20 minutos. A componente ferroviária será complementada por uma rede rodoviária desenhada para garantir ligações eficientes a todo o território polaco, de acordo com a mesma fonte.
Arquitetura pensada para integrar transportes
O design do Port Polska está a cargo do estúdio britânico Foster + Partners. O projeto inclui uma grande praça central, iluminada naturalmente e rodeada de zonas verdes, concebida para integrar avião, comboio e automóvel num único espaço funcional. Esta área funcionará como ponto de encontro e distribuição de passageiros, facilitando a circulação e tornando as transições entre meios de transporte mais rápidas e intuitivas.
Um nome novo para deixar o passado para trás
Inicialmente conhecido como Centralny Port Komunikacyjny (CPK), o projeto ficou associado a alegações de corrupção, incluindo a venda controversa de terrenos estratégicos a uma empresa privada. A mudança de nome para Port Polska surge como uma tentativa clara de afastar o aeroporto das polémicas do passado e reforçar a ideia de transparência e prioridade nacional.
Ligações europeias e alta velocidade ferroviária
Além dos voos internacionais, o novo hub deverá funcionar como eixo central de uma rede ferroviária de alta velocidade. Estão previstas ligações rápidas a cidades como Cracóvia, Gdańsk e Wrocław, oferecendo alternativas de deslocação sem recurso ao avião.
Segundo o primeiro-ministro polaco, o mega-aeroporto, que será dos maiores da Europa, deverá operar 24 horas por dia, sete dias por semana, posicionando-se como o maior hub de transportes da região e um dos mais avançados da Europa, refere a Executive Digest.
Com abertura prevista para 2032, o Port Polska é apresentado como um projeto estruturante para o futuro da Polónia, combinando capacidade, integração de transportes e potencial de crescimento, com o objetivo de reforçar o papel do país como porta de entrada estratégica para a Europa.
Leia também: “Vou vivendo como posso”: professor reformado de 71 anos tem pensão de 2.500€ mas mostra-se ‘preocupado’ com o futuro
















