Cada vez mais reformados decidem deixar o país onde nasceram para aproveitar a reforma num lugar onde o dinheiro chegue mais longe. Patti Addington, professora reformada dos Estados Unidos, é um desses exemplos. Com 68 anos, mudou-se para Torremolinos e diz que nunca foi tão feliz com a sua pensão.
De acordo com o jornal digital espanhol Notícias Trabajo, a decisão de se mudar para Espanha surgiu depois de uma experiência marcante em 2018, quando Patti percorreu o Caminho de Santiago. A viagem deixou-a tão encantada com o país e a sua cultura que começou a pensar seriamente em regressar.
“Voltei de Espanha sem vontade de partir e comecei a pensar em como, onde e quando poderia mudar-me”, contou. “Os meus filhos já eram adultos. Eu estava reformada. O lugar onde vivia já não me fazia feliz e o clima político nos Estados Unidos entristecia-me muito. Queria viajar e começava a sentir falta de Espanha e da cultura espanhola. Fiquei rendida e decidi mudar-me para a Costa do Sol.”
Uma casa com vista para o Mediterrâneo
Em 2021, Patti instalou-se em Torremolinos, numa casa com varanda voltada para o Mediterrâneo. Segundo a própria, “as vistas da minha varanda são as melhores que já vi. Tenho vista para o mar!” O novo quotidiano trouxe-lhe uma sensação de renovação. “Todos os dias olho pela janela ou sento-me na varanda e sinto-me transportada para um mundo de mar azul, gaivotas no ar, palmeiras, barcos, passeios marítimos e vegetação exuberante.”
A adaptação foi facilitada pela proximidade de serviços. “Só tenho de andar um pouco para mergulhar numa das duas piscinas olímpicas ou ir ao ginásio fazer exercício”, acrescentou, sublinhando como pequenas rotinas contribuem para o bem-estar diário.
Custos que fazem a diferença
A diferença mais evidente, tal como conta Patti, surgiu nas contas mensais. “De uma forma geral, é mais viável viver aqui e aproveitar esta fase da minha vida. A comida é mais barata. A roupa é mais barata. O entretenimento é mais barato. Até as flores para a casa são mais baratas. Uma garrafa de vinho decente não arruína o orçamento”, explicou.
Nos Estados Unidos, onde vivia em Indian River, pagava 1500 dólares de renda, além de cerca de 150 de eletricidade, 50 de água e outros 150 em telefone, televisão e internet. Já em Torremolinos, descreve, “pago 860 euros por um apartamento de duas divisões com vista para o mar. A eletricidade fica-me por um terço do que pagava nos Estados Unidos e a água custa-me metade. A televisão, o telefone e a internet ficam em 74 euros por mês. O gás é apenas 18 euros. Até o seguro de saúde me sai quase mil dólares mais barato.”
Mais qualidade de vida
Com esta folga, viaja todos os meses. Já visitou cidades como Madrid, Barcelona, Valência e Jerez, e continua a explorar aldeias e praias da região.
Também aproveita para ter aulas de espanhol, receber amigos que vêm da América e colaborar em programas de voluntariado. Entre os pequenos prazeres que agora se pode permitir estão massagens e tratamentos de spa, que consegue fazer por menos de 100 euros.
O que mais conta
Segundo o Notícias Trabajo, mais do que os números, o que a encanta é a forma como foi recebida. Fala da simpatia das pessoas, do ambiente familiar que observa nas ruas e da sensação de segurança.
Todos os dias sai para caminhar e descobrir novos lugares. É essa rotina simples, mas feliz, que lhe faz dizer que a mudança para Espanha foi a melhor decisão da sua vida.
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