Muitos condutores em Portugal e em toda a Europa já se questionaram se, ao abastecer, recebem exatamente a quantidade de combustível pela qual pagaram. O receio é legítimo: com os preços da gasolina e do gasóleo a pesar cada vez mais no orçamento das famílias, a dúvida sobre a fiabilidade das bombas de combustível surge com frequência. Mas existe um método oficial e simples para comprovar isso.
Encher o depósito é uma ‘dor de cabeça’ para muitos
Em plena época de férias, quando milhares de portugueses percorrem quilómetros rumo ao destino de verão, o momento de encher o depósito continua a ser temido. A fatura não pára de subir e, no final, resta confiar que os litros cobrados correspondem aos que realmente entraram no depósito.
A verdade é que muitos desconhecem que, por lei, todas as gasolineiras devem disponibilizar um instrumento de verificação ao cliente. De acordo com o portal espanhol Noticias Trabajo, trata-se da chamada “prova da proveta”, um procedimento que pode ser exigido no ato de abastecimento sempre que houver dúvidas.
O que é a prova da proveta?
Segundo explicou Joseba Barrenengoa, fundador da rede de postos EasyGas, este sistema assenta num recipiente de vidro calibrado que mede até 10 litros. Ao solicitar a verificação, o combustível é transferido diretamente da bomba para a proveta, permitindo confirmar no momento se a quantidade corresponde ao registado no visor.
O detalhe é importante: a medição deve ser feita na mesma mangueira utilizada pelo cliente. Caso contrário, a fiabilidade do processo pode ser posta em causa. Se a medição coincidir, não há motivo para suspeitas. Mas se houver discrepâncias, o cliente tem direito a apresentar queixa.
O que acontece em caso de irregularidade
Quando a prova da proveta revela que a quantidade abastecida é inferior à cobrada, o consumidor deve formalizar uma denúncia. Essa queixa leva a uma inspeção às instalações e pode ter consequências pesadas para a estação de serviço.
Na rede EasyGas, a empresa explica que esta verificação demora apenas alguns minutos, semelhante ao tempo gasto num abastecimento normal. Se tudo estiver correto, o cliente pode seguir viagem tranquilo. Se não estiver, a denúncia abre caminho a multas e até ao encerramento do posto em casos mais graves.
Uma ferramenta desconhecida
Apesar de ser obrigatória, a existência desta prova continua a ser um segredo para muitos automobilistas. “A proveta está à disposição de todos os clientes para poderem fazer a verificação”, sublinha Barrenengoa, defendendo que a informação deveria ser mais divulgada.
O especialista recorda que confiar no ponteiro do depósito ou na sonda do carro não é solução. Esses mecanismos não conseguem medir diferenças pequenas, como três ou cinco litros, e não garantem a precisão necessária.
Consequências para os infratores
De acordo com o relato do responsável da EasyGas, já houve casos em que irregularidades resultaram em multas avultadas e até no fecho de estações de serviço. Isto mostra que a legislação é clara e que as entidades de fiscalização levam a sério este tipo de denúncias.
Ainda assim, a grande maioria das verificações confirma que não há manipulação. “O mais provável é que o resultado seja o mesmo e, portanto, não haja qualquer problema”, refere a rede de abastecimento, citada pelo Noticias Trabajo.
Direito que deve ser usado
Em Portugal, tal como noutros países europeus, as regras de proteção ao consumidor no setor da energia e combustíveis garantem este direito. Poucos automobilistas sabem, mas a exigência da prova da proveta pode ser feita em qualquer posto, em qualquer altura.
Numa altura em que cada litro conta e as famílias sentem cada vez mais o peso dos combustíveis no orçamento mensal, conhecer esta possibilidade é uma forma de reforçar a confiança no serviço e assegurar que não há margem para abusos.
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