Em Portugal, o mercado de usados continua em crescimento: em 2024 foram transacionados mais de 850 mil veículos em segunda mão, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP). Com esta procura elevada, cresce também o risco de adquirir um carro usado que já sofreu um acidente sem que o comprador se aperceba. Para evitar surpresas desagradáveis, um mecânico revelou alguns truques para identificar os sinais mais comuns.
Carros cada vez mais antigos
De acordo com a base de dados da Carfax, fornecedor de históricos de veículos na Europa, a idade média dos carros usados vendidos no último ano foi de 12 anos. Quando a idade se aproxima dos 15, a probabilidade de o veículo ter sofrido danos ou acidentes aumenta consideravelmente.
Isto significa que o comprador deve estar especialmente atento a este tipo de modelos, uma vez que o desgaste acumulado e as reparações feitas ao longo dos anos podem esconder problemas difíceis de detetar à primeira vista.
Onde procurar sinais de acidente
O mecânico da Needcarhelp, citado pelo portal espanhol El Motor, explica que a parte da frente do carro é a zona mais reveladora. “A parte dianteira é a mais importante, a mais cara e onde mais informação podemos obter”, afirma. Segundo ele, quando ocorre um acidente, a primeira intervenção passa por desmontar as peças externas.
Entre os elementos que merecem maior atenção estão as aletas, o capô e as portas. Se existirem marcas de manipulação, pode ser sinal de que a viatura foi sujeita a reparações após colisões.
Tornilharia, pintura e datas
Os detalhes fazem a diferença. É fundamental observar a tornilharia para verificar se existem marcas de ter sido mexida, analisar a espessura da pintura e até confirmar as datas gravadas nas peças. Estes números revelam quando foram fabricados os componentes e podem indicar se foram substituídos após um acidente.
Como exemplo, o mecânico refere uma aleta dianteira direita com data da semana 14 de 2017: se o carro for desse mesmo ano, significa que a peça é original e nunca foi alterada.
A importância dos faróis e do capô
Outro detalhe a ter em conta são os faróis. Caso apresentem datas diferentes das do registo inicial do carro, pode indiciar que foram trocados devido a uma colisão. O mesmo se aplica ao capô, que deve manter as etiquetas originais do fabricante, sinal de que não foi desmontado.
Estes pormenores ajudam a perceber se o veículo foi sujeito a reparações mais profundas do que aparenta.
O papel do espesímetro
Para reforçar a análise, o mecânico aconselha o uso de um espesímetro, um aparelho que mede a espessura da pintura da carroçaria. Valores demasiado altos podem indicar que houve repintura para esconder danos anteriores.
Além disso, o dispositivo consegue identificar a presença de massa de reparação, outro indício de que o carro sofreu um impacto.
Nem sempre significa acidente grave
No entanto, o especialista lembra que nem sempre um repintado corresponde a um acidente de grande dimensão. Por vezes, a pintura é refeita apenas por motivos estéticos ou para corrigir riscos superficiais.
Assim, o espesímetro deve ser visto como um complemento à observação visual, mas não como prova definitiva.
Comprar em segurança
O conselho dos especialistas é claro: antes de adquirir um carro usado, deve recorrer-se a uma inspeção completa feita por um profissional. Isso permite identificar sinais ocultos de reparações e evitar problemas futuros.
Além disso, consultar o histórico do veículo junto de bases de dados especializadas pode ser uma ajuda extra para confirmar se a viatura esteve envolvida em acidentes.
Um mercado com riscos e oportunidades
Com a procura por carros em segunda mão a aumentar, sobretudo devido ao preço mais acessível face a veículos novos, os consumidores devem estar mais informados e atentos. Um negócio aparentemente vantajoso pode rapidamente transformar-se num encargo inesperado se os sinais de acidente passarem despercebidos.
De acordo com o El Motor, e como explica o mecânico, a chave está na observação minuciosa e no recurso às ferramentas adequadas. Pequenos pormenores podem fazer a diferença entre uma boa compra e um erro dispendioso.
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