A maioria dos condutores já ouviu dizer que a música pode interferir na forma como se conduz. Agora, um estudo norte-americano confirma que, de facto, as canções que ouvimos ao volante têm impacto direto na condução.
Segundo a investigação da Lance Surety Bond Associates, a música pode estimular, acalmar ou até provocar comportamentos de risco, como excesso de velocidade ou distrações. De acordo com o El Motor, a análise baseou-se num inquérito a mais de mil condutores de várias gerações: Z, millennials, X e baby boomers.
Certos géneros parecem melhorar os reflexos ao volante
De acordo com o relatório, cerca de 30% dos inquiridos acreditam que ouvir música enquanto conduzem melhora o tempo de reação. Esta perceção é mais comum entre apreciadores de música clássica (56%), R&B e soul (43%) e música eletrónica (41%). Em contraste, apenas 14% dos fãs de punk sentem melhorias nesse aspeto, havendo até quem refira o efeito contrário.
Em relação ao estado emocional, os dados indicam que quase 88% dos condutores já sentiram raiva ao volante. Curiosamente, os ouvintes de indie são os que mais relatam episódios de fúria (96%), seguidos pelos adeptos de heavy metal (89%).
Alguns artistas são mais associados à agressividade
Segundo a mesma fonte os participantes do estudo associaram essa irritação a artistas específicos. Entre os mais mencionados estão Calvin Harris, Kane Brown, Creedence Clearwater Revival, David Guetta, The Rolling Stones, Alan Walker, Chris Stapleton, Katy Perry, Disturbed e The Beatles.
Heavy metal, hard rock e tensão acumulada na estrada
Entre os condutores mais propensos à raiva que preferem hard rock e heavy metal, os nomes mais ouvidos incluem Disturbed, Aerosmith, Evanescence, Guns N’ Roses e Black Sabbath. Por outro lado, o pop surge como o género mais escolhido para acalmar: 31% dos condutores dizem recorrer a ele quando precisam de relaxar.
Nem todos se arrependem das atitudes agressivas
Mais de metade dos inquiridos (53%) admitiram sentir remorsos pelas suas atitudes agressivas na estrada. Os fãs de música country (74%), punk (71%) e indie (67%) são os mais propensos ao arrependimento, enquanto os ouvintes de heavy metal são os que menos dizem sentir-se culpados (28%).
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Há géneros musicais associados a menos infrações
O estudo também aborda a relação entre estilo musical e infrações rodoviárias. Globalmente, os que ouvem música clássica (63%) e heavy metal (67%) são os que menos dizem cometer infrações. Ainda assim, o excesso de velocidade continua a ser o erro mais comum.
Excesso de velocidade lidera a lista de comportamentos de risco
Neste campo, os fãs de indie (83%), eletrónica (78%) e música alternativa (72%) são os que mais confessam ultrapassar os limites de velocidade. A distração é outro problema, especialmente entre os apreciadores de punk (57%), indie (57%) e eletrónica (44%).
Manobras arriscadas ligadas ao tipo de som no rádio
Conduzir demasiado próximo de outros veículos é mais comum entre ouvintes de indie (24%), música clássica (22%) e hip-hop (21%). Já cortar o caminho a outros condutores é uma atitude mais frequentemente atribuída a fãs de música eletrónica (28%), hip-hop (22%) e alternativa (18%).
Condução sob efeito de álcool também é analisada
Outro dado relevante diz respeito à condução sob o efeito de álcool. Os estilos musicais mais associados a este comportamento são a música eletrónica (20%), indie (17%) e hip-hop (14%), ainda que em percentagens relativamente baixas.
O estudo conclui ainda que 15% dos condutores admitiram ter estado prestes a provocar um acidente por estarem a mudar de música. Punk (36%) e hip-hop (22%) são os géneros mais citados entre os que já passaram por esta situação.
Conclusões que ajudam a compreender riscos invisíveis
Estes dados mostram que as preferências musicais têm impacto mais profundo do que se pensava no comportamento ao volante, e que a escolha da banda sonora pode fazer a diferença entre uma viagem tranquila ou um episódio de risco.
O estudo levanta uma questão importante: até que ponto estamos conscientes da influência da música no nosso estado de espírito e na nossa capacidade de condução? Saber escolher a trilha sonora certa pode ser mais relevante do que parece.
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