As áreas de serviço e vias de apoio nas autoestradas estão a tornar-se cada vez mais um tema de debate, sobretudo quando o assunto é o preço das refeições. A discussão ganhou força em Espanha após um vídeo viral, mas a realidade descrita encontra paralelos claros em Portugal, onde muitos condutores associam estas paragens a custos elevados e pouca margem de escolha.
O alerta partiu de Espanha, através do criador de conteúdos Cocituber, que denunciou aquilo que considera ser o desaparecimento das “vias de serviço de antigamente”. No vídeo, citado pelo portal digital espanhol HuffPost, o influencer relata uma viagem entre Bilbao e Madrid durante a qual parou numa área de serviço e encontrou um menu do dia anunciado a 16,90 euros, mas que naquele dia estava a ser vendido por 19,95 euros.
Segundo o mesmo relato, os preços praticados iam além do menu principal. Bebidas como uma Coca-Cola custavam 3,75 euros, uma garrafa de água atingia os 4,20 euros e produtos simples, como sanduíches, ultrapassavam os cinco euros. “É uma vergonha”, afirmou, acrescentando que a qualidade apresentada não correspondia aos valores cobrados.
Na descrição do vídeo, Cocituber resume a situação como “caro e mau”, apontando ainda para as avaliações negativas deixadas por clientes em várias vias de serviço espanholas.
Um fenómeno que não se limita a Espanha
Embora o episódio tenha ocorrido numa área de serviço espanhola, o debate rapidamente pode ultrapassar a fronteira. Em Portugal, as áreas de serviço das autoestradas são frequentemente associadas a preços mais elevados, uma perceção alimentada pelo facto de muitos destes espaços funcionarem em regime de concessão e com pouca concorrência direta nas imediações.
De acordo com informações divulgadas pela Repsol no seu próprio site, os preços praticados nas lojas de conveniência e cafetarias das estações de serviço variam consoante o menu e a localização. A petrolífera apresenta, por exemplo, menus simples como sandes mista a cerca de 2,55 euros, mas também combinações mais completas, como baguete com bebida, que rondam os 5,99 euros, ou menus de pizza com refrigerante que podem chegar aos 10,95 euros.
Estes valores mostram que existe uma gama alargada de preços, mas confirmam também que, mesmo em opções rápidas, o custo tende a ser superior ao encontrado fora da autoestrada.
Menus de autoestrada e o caso português
Nas áreas de serviço concessionadas à Brisa, a marca Colibri é uma das mais conhecidas. Segundo dados divulgados pelo portal especializado em lifestyle Marketeer, a Colibri disponibiliza menus com preços que variam entre cerca de 2,65 euros e 19,95 euros. Entre as opções está o chamado “menu conforto”, anunciado a 9,95 euros, mas também refeições mais completas que atingem valores próximos dos 20 euros.
Curiosamente, o valor máximo referido no contexto português coincide com o preço que gerou maior indignação no caso espanhol denunciado por Cocituber, os 19,95 euros por um menu do dia.
Embora as ofertas não sejam diretamente comparáveis, o paralelismo ajuda a perceber porque é que muitos condutores portugueses fazem críticas semelhantes às feitas em Espanha.
Por que é que os preços são tão elevados
O enquadramento económico ajuda a explicar parte da situação. As áreas de serviço em autoestradas implicam custos elevados de exploração, concessões, horários alargados e serviços permanentes. Ainda assim, para muitos utilizadores, a perceção é a de que a relação entre preço e qualidade nem sempre é equilibrada, sobretudo quando comparada com restaurantes ou cafés situados fora das autoestradas.
Em Espanha, vários comentários citados pelo HuffPost apontam ainda para a padronização crescente destes espaços, com presença dominante de franquias e perda da identidade local que antes caracterizava muitas vias de serviço.
Em Portugal, a crítica centra-se mais no impacto acumulado das viagens, onde portagens, combustível e refeições acabam por pesar significativamente no orçamento.
Um debate que continua na estrada
O caso espanhol funcionou como catalisador de uma discussão mais ampla, mas a realidade descrita é partilhada por muitos condutores portugueses. As áreas de serviço continuam a ser paragens quase obrigatórias em viagens longas, mas deixaram há muito de ser sinónimo de refeições simples e económicas.
Num contexto em que viajar já implica custos elevados, o preço praticado nestes espaços tornou-se mais um fator a pesar na decisão de parar ou procurar alternativas fora da autoestrada, mesmo que isso signifique mais tempo de viagem. A crítica, tanto em Espanha como em Portugal, parece apontar no mesmo sentido: a conveniência da estrada continua a ter um preço, cada vez mais difícil de ignorar.
















