Durante décadas, o centro urbano de muitas cidades foi desenhado à medida do automóvel. Ruas alargadas, semáforos cronometrados e lugares de estacionamento ocupavam o espaço público, muitas vezes em detrimento dos peões. Mas há locais que decidiram inverter essa lógica e os carros deixaram de lá entrar.
Foi em Pontevedra, no norte de Espanha, que se iniciou uma das transformações urbanas mais referidas no debate sobre mobilidade e cidades sustentáveis. De acordo com o Notícias ao Minuto, o ponto de viragem deu-se em 1999, quando a autarquia decidiu restringir progressivamente o acesso automóvel ao centro histórico. Foi na sequência desta conquista que vários órgãos de comunicação social já apelidaram Pontevedra de “sonho de cidade”.
Menos carros, mais gente
A proposta inicial não foi a de proibir a circulação, mas sim criar condições que desmotivassem a entrada de viaturas na zona central. Segundo a mesma fonte, foram criadas zonas de estacionamento dissuasoras e introduzidas limitações de velocidade para os veículos que ainda circulam: um máximo de 30 quilómetros por hora.
A medida teve consequências diretas na ocupação do espaço urbano. Escreve o Notícias ao Minuto que a eliminação do tráfego motorizado devolveu as ruas aos peões, promovendo um uso mais comunitário e menos poluente da cidade.
Segurança sem atropelos
Entre os indicadores mais citados está o da segurança rodoviária. Conforme a mesma fonte, há mais de uma década que não se registam atropelamentos mortais no centro de Pontevedra. O último caso ocorreu em 2011.
Segundo a publicação, esta redução drástica na sinistralidade resulta, em grande parte, da menor velocidade dos veículos e da crescente presença de peões, que condiciona a condução e incentiva a vigilância mútua no espaço público.
Praças vivas e ruas com memória
O centro histórico de Pontevedra tornou-se também um ponto de interesse para quem visita a cidade. O blog Vaga Mundos destaca vários locais de visita obrigatória, como a Real Basílica de Santa María a Maior, com a sua fachada plateresca e influências manuelinas, ou a Praza da Ferraría, com os seus jardins, arcadas medievais e o Convento de San Francisco.
Outros pontos referidos pelo mesmo blog incluem a Igreja da Virgen Peregrina, em forma de vieira, e a animada Plaza da Leña, onde o ambiente de esplanada convida à permanência. Segundo o Vaga Mundos, estas praças, outrora condicionadas pelo ruído e pela velocidade dos carros, são hoje pontos de encontro e fruição urbana.
Legado e património sem ruído
A decisão de restringir o tráfego contribuiu também para a preservação do património. Refere o Vaga Mundos que Pontevedra é hoje uma cidade com ruas exclusivamente pedonais, nas quais é possível apreciar igrejas góticas, casas senhoriais e pontes medievais com mais tempo e atenção.
Entre os exemplos apontados estão a Ponte do Burgo, de origem romana, e as ruínas da Igreja de Santo Domingo, do século XIII. Ao retirar os carros, tornou-se possível aceder com maior proximidade a estes locais, segundo a mesma fonte.
Cultura e natureza lado a lado
A cidade oferece ainda propostas culturais como o Museu Provincial, com peças de ourivesaria milenares, e espaços naturais como a Ilha das Esculturas, no rio Lérez. O blog Vaga Mundos sublinha que estas zonas são agora mais frequentadas, resultado da nova relação entre os habitantes e o espaço urbano.
O Café Moderno, incluído na lista de locais de paragem sugerida, é outro exemplo de como o centro de Pontevedra voltou a ser lugar de pausa, em vez de simples ponto de passagem.
De exemplo local a caso internacional
A estratégia seguida em Pontevedra tem sido acompanhada por outras cidades e discutida em fóruns internacionais. Conforme escreve o Notícias ao Minuto, a cidade é hoje apresentada como um modelo de reorganização urbana centrada nas pessoas.
A banda sonora deixou de incluir buzinas e travagens, substituídas pelo chilrear dos pássaros e pela conversa entre vizinhos e visitantes. A cidade conhecida como “Boa Vila” tornou-se também símbolo de uma ideia simples: dar prioridade a quem anda a pé pode mudar tudo.
Leia também: O prazo de validade da carta de condução mudou recentemente: fique a saber a nova data e evite coimas de até 600€
















