A indústria automóvel está a assistir a uma mudança de paradigma que poderá afetar a carteira de muitos condutores fiéis a uma das marcas mais valiosas do mundo. A era das funcionalidades de assistência incluídas no preço final do veículo parece estar a chegar ao fim para dar lugar a um modelo de negócio baseado em pagamentos recorrentes. Quem comprar os novos carros elétricos desta marca terá agora de subscrever um serviço com um custo mensal associado para aceder a tecnologias que, até aqui, eram consideradas padrão.
A Tesla decidiu deixar de incluir algumas das suas funcionalidades mais populares de assistência à condução nos novos veículos vendidos no mercado norte-americano. Para ter acesso à condução automatizada e tecnologias semelhantes, os clientes passam a ter de pagar uma subscrição mensal de 99 dólares.
A informação é avançada pela Reuters, agência noticiosa internacional, que detalha a estratégia do diretor-executivo da marca para aumentar as receitas através da inteligência artificial. Elon Musk está focado em rentabilizar a tecnologia de veículos autónomos para justificar a valorização bolsista da empresa e responder à ansiedade dos investidores.
Fim do sistema gratuito
Com esta alteração, a fabricante está a eliminar o acesso gratuito ao conhecido sistema Autopilot nas versões do Model 3 e Model Y. A funcionalidade Autosteer, que mantinha o carro centrado na via em autoestradas, deixa de ser disponibilizada de série nestes automóveis.
Os novos proprietários continuarão apenas com o Cruise Control Adaptativo básico, que mantém a velocidade e a distância de segurança. Indica a mesma fonte que qualquer assistência superior obriga agora à aquisição da subscrição do pacote Full Self-Driving supervisionado.
Objetivo de 10 milhões de assinantes
Esta pressão para converter condutores em assinantes não é inocente e prende-se com metas financeiras ambiciosas para a próxima década. Ter 10 milhões de subscrições ativas deste serviço é um dos objetivos incluídos no pacote de remuneração de Elon Musk.
Explica a referida fonte que grande parte da avaliação da Tesla, estimada em 1,4 biliões de dólares, depende do sucesso desta aposta na inteligência artificial. A empresa procura provar que consegue gerar lucro real com o software, para além da venda física dos automóveis elétricos.
Adeus à compra única
A estratégia passa também por acabar com a possibilidade de comprar o software de uma só vez, forçando o modelo de renda mensal. A empresa anunciou que deixará de disponibilizar a compra única de 8000 dólares já a partir de meados de fevereiro.
O sistema de condução autónoma total torna-se assim a única via para quem deseja que o veículo navegue em ruas urbanas. Esta opção exige, no entanto, a monitorização constante por parte do condutor, não dispensando a atenção humana.
Preços podem subir ainda mais
O valor atual da mensalidade pode não ser definitivo e a tendência será para o encarecimento do serviço no futuro. O próprio Elon Musk afirmou que o preço da subscrição irá aumentar ao longo do tempo.
Explica ainda a Reuters que este aumento acompanhará a melhoria das capacidades do software e das funcionalidades oferecidas. O descontentamento dos clientes deve-se ao facto de o Autopilot ter servido, durante mais de uma década, como o sistema fundamental e gratuito de assistência ao condutor da Tesla.















