Registos oficiais da base europeia Rapex, citada pela revista automóvel, L’Automobile Magazine, revelam que 317 campanhas de recolha foram notificadas em 2025, quase uma por dia, representando um aumento de 17 face a 2024. Os dados mostram que mesmo marcas reconhecidas pela fiabilidade enfrentaram regressos inesperados às oficinas, entre pequenas intervenções e recalls de grande escala.
Segundo a mesma fonte, nem todas as intervenções assumem a forma de recalls formais. Algumas marcas optam por correções técnicas discretas, sem risco direto para a segurança ou para o ambiente, evitando assim comunicar a operação às autoridades.
A Renault, por exemplo, resolveu um problema na caixa de velocidades de mais de 150 mil veículos híbridos através de uma operação técnica especial, sem recorrer a um recall oficial. Este tipo de ação menos visível é frequente na indústria e permite reduzir custos e limitar a exposição mediática.
Quais são as marcas mais afetadas
Entre os construtores que mais recorreram a recalls oficiais em 2025, a Mercedes lidera o ranking, com 26 operações, seguida de perto pela Peugeot, com 25, e pela Kia, com 24. Opel e Citroën, ambas do grupo Stellantis, figuram também entre os mais ativos, enquanto a Chevron partilha a quinta posição com a Volkswagen. BMW, Ford e Audi completam o grupo das marcas com maior número de regressos às oficinas ao longo do ano.
O prolongamento do caso Takata voltou a marcar o setor. Citroën, Toyota, Mercedes e o grupo Volkswagen tiveram de imobilizar centenas de milhares de veículos, muitas vezes em campanhas do tipo Stop Drive, que obrigam à paragem imediata do automóvel até à substituição do componente.
Este procedimento passou a ser assinalado em contra-inspeções no controlo técnico em França, refletindo a crescente preocupação com a segurança.
Peso do grupo Stellantis
O grupo Stellantis destacou-se por várias campanhas de grande escala. Cerca de 900 mil veículos com motor 1.5 BlueHDi, das marcas Citroën, DS, Opel e Peugeot, foram chamados às oficinas por problemas de fiabilidade.
Mais de 200 mil veículos com motor a gasolina de três cilindros e mais de 240 mil Peugeot 308 de gerações anteriores regressaram por risco de incêndio ou defeito nos cintos de segurança.
Em termos globais de grupos automóveis, o Stellantis liderou com 95 campanhas em 2025, seguido do grupo Volkswagen, com 47, e do consórcio Hyundai-Kia, com 38. Uma parte significativa destas operações incidiu sobre veículos comerciais e derivados, segmento em que o Stellantis possui uma oferta particularmente vasta. Excluindo estes modelos, a diferença entre os grandes grupos torna-se menos evidente.
Recalls também em marcas de alta fiabilidade
Mesmo construtores com elevados padrões de fiabilidade não ficaram imunes. Toyota e Lexus chamaram de volta mais de 90 mil veículos durante o verão, numa estratégia de intervenção rápida, antes que os problemas se alastrem.
De acordo com a L’Automobile Magazine, um elevado número de recalls não significa necessariamente falha de qualidade, mas traduz uma resposta célere a potenciais defeitos, ainda que para os proprietários nunca seja agradável regressar inesperadamente à oficina.
















