Num contexto em que a condução sob o efeito do álcool continua a ser uma das principais causas de acidentes rodoviários, um caso recente voltou a chamar a atenção para situações raras em que é possível acusar álcool no teste do balão sem ter ingerido bebidas alcoólicas. Uma mulher espanhola foi intercetada num controlo de alcoolemia depois do trabalho e acabou por acusar positivo no teste do balão, apesar de garantir que não tinha bebido uma única gota, segundo o portal especializado em automóveis El Motor.
O episódio ocorreu quando a condutora regressava de um dia de trabalho e foi mandada parar numa operação de rotina. Ao soprar no alcoolímetro, o resultado indicou 0,11 mg/l, um valor que, embora baixo, configura um teste positivo. Perante a surpresa, a mulher explicou aos agentes que estava acordada desde cedo e que vinha diretamente do local de trabalho, sem qualquer consumo de álcool.
Mesmo após insistir que apenas tinha bebido água durante o dia, o teste foi repetido e o resultado voltou a ser positivo, desta vez com 0,10 mg/l. Só nesse momento começou a recordar o que tinha almoçado horas antes.
Um prato aparentemente inofensivo
A refeição incluía carne com cenoura cozinhada com cerveja, preparada em casa e consumida cerca de uma hora e meia antes do controlo. Apesar de o álcool ser normalmente evaporado durante a confeção, nem sempre esse processo é total, sobretudo se o tempo de cozedura for curto ou se o álcool for adicionado numa fase final da preparação, refere a mesma fonte.
Esta situação levantou uma dúvida comum entre muitos condutores: até que ponto refeições confecionadas com bebidas alcoólicas podem influenciar um teste do balão pouco tempo depois de serem ingeridas.
Colutórios e sprays também contam
O tema foi comentado por Álvaro Fernández, farmacêutico conhecido nas redes sociais, que explicou que alguns colutórios bucais contêm álcool na sua composição e podem provocar resultados positivos temporários nos testes de alcoolemia. O mesmo pode acontecer com sprays para a garganta e outros produtos de uso oral.
Segundo o especialista, estes efeitos tendem a ser de curta duração, mas podem ser suficientes para influenciar um teste realizado pouco tempo depois da utilização.
Uma condição médica rara
De acordo com a mesma fonte, para além da alimentação e de produtos de higiene, existe ainda uma explicação clínica para casos mais extremos. Trata-se do chamado síndrome da autofermentação, também conhecido como auto-brewery syndrome. Esta doença rara faz com que o organismo produza álcool internamente a partir da fermentação de hidratos de carbono no sistema digestivo.
Em 2019, um homem conseguiu provar em tribunal que sofria desta condição depois de ter sido condenado por condução sob o efeito do álcool, apesar de não beber. Após avaliação médica, a justiça acabou por absolvê-lo, reconhecendo que os níveis de álcool detetados não resultavam do consumo de bebidas alcoólicas.
O que devem saber os condutores
Embora estes casos sejam excecionais, especialistas alertam que refeições confecionadas com álcool, colutórios e determinados medicamentos podem interferir temporariamente nos testes de alcoolemia. Segundo o El Motor, em caso de dúvida, é aconselhável aguardar algum tempo antes de conduzir ou informar as autoridades sobre possíveis fatores que possam justificar um resultado inesperado.
A regra continua a ser clara: conduzir sem consumir álcool é a única forma totalmente segura de evitar problemas legais e, acima de tudo, de garantir a segurança na estrada.
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