Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, afirmou esta terça-feira que o Governo pretende avançar com soluções para os problemas de mobilidade rodoviária no Algarve, considerando que os investimentos na região têm sido condicionados pelo processo judicial entre o Estado e o concessionário Algarve Litoral.
Segundo o ministro, o diferendo, que se prolonga há vários anos, “continua a criar enormes constrangimentos ao desenvolvimento do Algarve”, levando a que a região tenha sido, “de alguma forma, injustiçada”.
O governante garantiu, contudo, que o Executivo quer procurar formas de libertar o Algarve do “espartilho que impede o seu desenvolvimento”.
Miguel Pinto Luz falava à margem da inauguração da nova Variante a Olhão, infraestrutura há muito reivindicada e que deverá contribuir para reduzir o congestionamento na Estrada Nacional 125, desviando o tráfego de atravessamento para fora da cidade.
Governo quer replicar solução aplicada em Olhão
De acordo com o ministro das Infraestruturas e Habitação, a construção da Variante a Olhão representa uma “exceção” que gostaria de ver aplicada noutras situações críticas da região.
A obra foi retirada da concessão Algarve Litoral, responsável pela gestão da EN125, no âmbito de um processo que se mantém há décadas nos tribunais.
“Trata-se de um distrito que está há anos num processo de litigância muito complexo, o que coloca pressão sobre a administração central, seja ela qual for, e impede-nos de fazer, com liberdade, o desenvolvimento que precisamos de concretizar neste território”, afirmou.
O ministro acrescentou que “uma das soluções para não deixar à espera uma região inteira é continuarmos a ter estas exceções para os problemas mais críticos”, apontando exemplos como Loulé, São Brás de Alportel e Albufeira.
Variante a Olhão custou 14,5 milhões de euros
Segundo o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), Miguel Cruz, a nova variante representou um investimento de 14,5 milhões de euros.
O responsável considera que a infraestrutura permitirá reduzir congestionamentos, emissões poluentes, ruído e impactos ambientais no centro urbano de Olhão.
Já o presidente da Câmara de Olhão, Ricardo Calé, explicou que a nova via permitirá retirar do interior da cidade o tráfego que circula entre Faro, Tavira, Vila Real de Santo António e Loulé.
“O que acontece é que a EN125 atravessava Olhão pela Avenida D. João VI, que é uma verdadeira avenida urbana, rodeada de escolas, serviços e comércio. […] Não fazia qualquer sentido essas pessoas terem de articular diariamente a sua vida com uma estrada nacional”, referiu.
Nova via contorna a cidade de Olhão
A Variante a Olhão tem cerca de seis quilómetros de extensão e estabelece a ligação entre a EN125 e a EN398.
A infraestrutura dispõe de duas faixas de rodagem, seis rotundas, passagens inferiores e sistemas de sinalização e telemática destinados à informação e monitorização do tráfego.
O traçado desenvolve-se em redor da cidade de Olhão, passando nas proximidades de locais como Torrejão, Bela Mandil, João de Ourém, Arrochela, Quinta do Calhau, Quinta do Major, Ponte de Quelfes e Piares.
Leia também: Última casa de veraneio da Marginal de Quarteira é classificada como Monumento de Interesse Municipal















