
O restaurante Come na Gaveta, em Tavira, parte de uma expressão popular antiga da cidade para construir um conceito gastronómico assente em petiscos de inspiração portuguesa. A carta, pensada para partilha, inclui propostas simples e outras mais elaboradas, com preços que começam nos quatro euros.
A designação remete para um hábito associado ao passado comercial da cidade. De acordo com o site do restaurante Come na Gaveta, durante muitos anos os estabelecimentos locais não encerravam à hora de almoço, levando comerciantes e empregados a fazerem as refeições no local de trabalho.
Comer depressa e esconder o prato
Assim sendo, sempre que surgia um cliente, o prato era guardado numa gaveta e retomado apenas depois. Em alguns casos, por precaução, a refeição permanecia escondida durante todo o período de trabalho, sendo consumida em pequenos momentos, abrindo e fechando a gaveta.
A explicação é acompanhada por um esclarecimento cultural. Apesar da fama associada à expressão, Tavira sempre foi reconhecida como uma cidade hospitaleira, onde oferecer comida a quem entra em casa à hora de almoço é prática comum.
Tradição transformada em conceito
É a partir dessa narrativa que o restaurante define a sua identidade. O Come na Gaveta procura perpetuar a tradição do bem receber através de uma selecção de tapas e petiscos que muda sazonalmente, permitindo experiências diferentes em cada visita.
A carta é extensa e organizada por categorias, começando nas tábuas para partilhar. Entre as opções está a tábua algarvia, com o preço de 17 euros, que inclui produtos, como muxama de atum, salada de polvo, cenoura algarvia, amêndoa torrada e pão.
Petiscos acessíveis desde os 4 euros
De salientar que os preços mais baixos surgem nas entradas e acompanhamentos. A sopa de legumes custa quatro euros, enquanto a salada verde está disponível pelo mesmo valor. Já a salada de tomate tem o custo de cinco euros.
Entre os pratos de peixe e marisco surgem propostas como, o biqueirão na corda, servido por 12 euros, ou os tacos de atum, com o preço de 15 euros. O camarão flambé está listado por 16 euros, enquanto as gambas da costa custam 12 euros.
Carne, hambúrgueres e pratos para partilhar
A secção de carne inclui opções, como o pica-pau de novilho, com o valor de 16 euros, e o franguinho frito por 11 euros. Há também pratos pensados para quem prefere refeições mais completas, como o cheeseburger, com o preço de 15 euros; ou o double cheeseburger, por 16 euros. Para partilhar, destaca-se ainda a tábua de vazia (26€), composta por vazia de novilho Angus, acompanhamentos e molhos. O prego de atum, servido em bolo do caco, surge na carta por 15 euros.
Na fase final da refeição, o restaurante propõe sobremesas tradicionais. O crème brûlée de amarguinha custa seis euros, o mesmo valor da mousse de chocolate ou dos churros com Nutella. O pão de ló com queijo da serra é a opção mais cara, uma vez que o preço chega aos oito euros.
Além do espaço na cidade de Tavira, o Come na Gaveta alargou o conceito à Ilha de Tavira. O novo espaço na ilha encontra-se na Orla Ecoglamping, no parque de campismo da ilha, mantendo a lógica de petiscos e partilha.
Memória local servida à mesa
O projeto assume-se como uma tradução contemporânea de um hábito antigo. Conforme o site do Come na Gaveta, a história da cidade serve de base ao conceito, sem recorrer a recriações artificiais, apostando antes numa carta diversificada e acessível. A tradição de “comer na gaveta” deixa assim de ser apenas uma expressão popular e passa a integrar a experiência gastronómica de quem se senta à mesa no Come na Gaveta.
















