O arranque da construção da dessalinizadora do Algarve, prevista para a zona da Praia da Falésia, em Albufeira, está a gerar contestação política e ambiental, com críticas centradas no processo de Avaliação de Impacte Ambiental e nas consequências para o território.
O PAN Algarve considera que o projeto levanta dúvidas significativas quanto à sua sustentabilidade e impacto ambiental.
Saúl Rosa, porta-voz da Comissão Política Distrital do PAN Algarve, afirma que a decisão representa “um erro de estratégia hídrica para o Algarve”.
O dirigente enquadra a opção como reflexo de uma abordagem governativa que considera insuficiente face aos desafios ambientais.
Críticas ao processo de avaliação ambiental
Segundo o PAN, o projeto avança sem garantias robustas relativamente aos riscos identificados.
Saúl Rosa defende que a Avaliação de Impacte Ambiental “ficou aquém do nível de exigência necessário para uma intervenção desta dimensão numa zona particularmente sensível”.
O partido recorda que apresentou propostas alternativas durante o período de consulta pública.
Entre essas sugestões incluíam-se soluções tecnológicas consideradas mais sustentáveis para a dessalinização.
Alternativas e propostas ignoradas
De acordo com o PAN, foram propostas opções como a dessalinização offshore e o aproveitamento de subprodutos da salmoura.
Mónica Caldeira, representante concelhia do partido em Albufeira, critica o processo, afirmando que “É lamentável observar que as entidades envolvidas neste processo […] optaram por ignorar completamente as propostas construtivas que apresentamos”.
A responsável considera que o modelo adotado não resolve os impactos ambientais, limitando-se a permitir o avanço da obra.
Uma das principais preocupações prende-se com a descarga de salmoura no mar e os seus efeitos nos ecossistemas marinhos.
Riscos ambientais e económicos
O PAN alerta ainda para os riscos associados à captação de água do mar e ao impacto em espécies essenciais à cadeia alimentar.
A monitorização prevista é considerada insuficiente, já que, segundo Mónica Caldeira, “não impede o impacto, apenas o identifica quando já ocorreu”.
A localização do projeto na Praia da Falésia é outro dos pontos críticos apontados pelo partido.
O PAN considera que a instalação poderá afetar a perceção ambiental da zona e ter consequências na economia local.
Impacto no território e alternativas estruturais
O partido defende que existem soluções alternativas que não foram devidamente priorizadas.
Entre elas estão a redução de perdas na rede, a reutilização de águas residuais, o aumento da eficiência hídrica e o reforço da capacidade de armazenamento.
Saúl Rosa sublinha que “estas soluções são descritas como menos impactantes do ponto de vista ambiental, com custos mais reduzidos e com benefícios mais equilibrados no território”.
Com o início das obras previsto, o tema deverá continuar a marcar o debate público no Algarve.
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