A Freguesia de Moncarapacho promoveu, esta terça-feira, uma reunião de trabalho no Lagar dos Viveiros Monterosa para debater o futuro cultural, histórico e patrimonial da vila, numa iniciativa que reuniu representantes do Município de Olhão, empresários locais, professores universitários e historiadores.
O encontro surge num ano particularmente simbólico para Moncarapacho, que assinala os seus 555 anos como freguesia, reforçando a importância de olhar para o passado como base para a construção de uma visão estratégica de futuro.
Segundo a Freguesia de Moncarapacho, a reunião permitiu refletir sobre a valorização de um território cuja riqueza patrimonial, cultural e arqueológica continua a marcar profundamente a identidade local. No texto divulgado na página oficial da freguesia, é sublinhado que Moncarapacho possui um património “rico e bem vivo”, sustentado por uma forte dinâmica cultural ao longo de todo o ano.

Do debate resultou uma vontade comum de reunir esforços para estruturar e qualificar a valorização cultural do território, com o objetivo de afirmar Moncarapacho no panorama cultural do Algarve, através da criação de condições que potenciem a sua história, o seu património e a sua identidade.
A freguesia destaca ainda o valor singular de Moncarapacho enquanto território com povoamento contínuo desde a pré-história, sublinhando a necessidade de articular melhor os diversos ativos culturais e patrimoniais existentes, muitos deles ainda sem uma estratégia integrada de valorização e visitação.

A iniciativa contou com o envolvimento do Município de Olhão, numa lógica de colaboração institucional considerada essencial para a concretização de projetos estruturantes nesta área, reforçando a importância de uma abordagem conjunta e sustentada.

Esta reflexão enquadra-se também num contexto mais amplo de valorização do território, articulando-se com as comemorações em curso e com a ambição de afirmar o concelho de Olhão, no ano do seu bicentenário, como uma referência cultural e patrimonial no Algarve.

Moncarapacho assinala 555 anos com destaque para a sua história e património
A Freguesia de Moncarapacho está a assinalar os seus 555 anos com a divulgação do folheto “Moncarapacho, Passado Rico, Identidade Viva!”, documento que sintetiza a evolução histórica e administrativa da localidade e reforça o peso patrimonial desta vila do concelho de Olhão no contexto algarvio. O texto, assinado por Francisco Lameira e Martina del Rio, foi extraído da monografia Moncarapacho. História e Património.
Segundo o folheto, Moncarapacho apresenta vestígios arqueológicos desde o Paleolítico Inferior e Médio e o Mesolítico, beneficiando de uma posição geográfica que favoreceu um povoamento contínuo até à atualidade. O documento destaca ainda os célebres ídolos de Moncarapacho, a influência de povos mediterrânicos e uma presença romana intensa, sublinhando que na zona foi descoberto “o único marco miliário descoberto no Algarve”.
A cronologia recorda que Moncarapacho foi constituída como freguesia autónoma em 19 de junho de 1471, integrou o concelho de Olhão em 1826, foi elevada a vila em 1991 e voltou a ser freguesia autónoma desde 3 de novembro de 2025, após a união administrativa com a Fuseta entre 2013 e 2025.
O folheto valoriza também o património religioso local, referindo que o portal da igreja paroquial é “o melhor exemplo do Renascimento no Algarve”, e evoca episódios marcantes como a participação vitoriosa na Batalha da Ponte de Quelfes, em 1808.




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