A Câmara Municipal de Faro pretende adquirir, ainda no primeiro semestre deste ano, o centenário Teatro Lethes, num investimento estimado em quatro milhões de euros, cuja concretização depende da venda de um terreno municipal, revelou o presidente da autarquia.
“Nós esperamos conseguir, do ponto de vista administrativo, propor à Câmara e à Assembleia Municipal a venda de um bloco de terreno naquele loteamento municipal junto às piscinas e, com a receita dessa venda, adquirir o Teatro Lethes. Se esta proposta for aceite, nos primeiros seis meses deste ano adquiriremos o Teatro Lethes”, disse António Miguel Pina aos jornalistas.
Aquisição depende da venda de terreno municipal
O Teatro Lethes, inaugurado em 1845 e propriedade da Cruz Vermelha Portuguesa, encontra-se desde dezembro com a programação suspensa, devido a danos estruturais no palco provocados pelo mau tempo, estando, contudo, a decorrer uma intervenção com vista à retoma da atividade nos primeiros meses do ano.
Em declarações aos jornalistas na apresentação da programação do Teatro das Figuras para 2026, o presidente da Câmara de Faro, que tomou posse em outubro para um primeiro mandato, disse que a aquisição do Lethes é um investimento prioritário para a cidade e “o principal investimento deste mandato”, ao nível do património.
Património histórico é prioridade do mandato
“Estamos a falar de um espaço com cerca de 180 anos enquanto teatro e quase 500 anos desde que foi um colégio jesuíta”, afirmou António Miguel Pina, sublinhando que ainda não existe estimativa para as obras, mas que deverão representar “mais 20% ou 30%” dos quatro milhões de euros para a sua aquisição.
O Teatro Lethes é a sede de A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), estando o teatro propriamente dito e alguns gabinetes do edifício arrendados à autarquia, que agora quer comprar o edifício na totalidade.
Outros investimentos culturais previstos para Faro
Segundo o autarca, no que se refere a investimentos no património cultural do concelho, estão ainda previstos outros dois projetos, que serão apresentados em breve, e que carecem de recurso a endividamento bancário.
“Temos também financiamento comunitário para a reabilitação de uma parte da antiga Fábrica da Cerveja e dos edifícios que foram transferidos para a Câmara Municipal, a sul da linha do caminho-de-ferro, junto à estação”, esclareceu.
António Miguel Pina recordou que este conjunto de edifícios faz parte do programa “Quilómetro Cultural”, que prevê a criação do projeto Estação Contemporânea, que será um espaço expositivo para a cidade.
Este programa prevê a requalificação urbanística e ambiental da zona ribeirinha e da baixa da cidade de Faro, entre a zona do Teatro das Figuras e o Largo de São Francisco, passando pela Fábrica da Cerveja.
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