As autoridades portuguesas registaram nas últimas semanas vários focos de uma doença viral transmitida por aves, com casos confirmados em diferentes zonas do território. De acordo com a agência de notícias Lusa, os serviços oficiais alertam para uma circulação persistente do agente patogénico e recomendam que sejam redobrados os cuidados nas explorações e espaços de criação.
Trata-se do vírus da gripe aviária, cuja mais recente confirmação ocorreu na freguesia de Quelfes, no concelho de Olhão, no Algarve. Segundo a mesma fonte, o caso foi identificado numa frisada, uma ave selvagem da família dos patos, elevando para 20 o número total de focos registados ao longo deste ano.
Escreve a agência de notícias que, na semana anterior, o vírus tinha sido detetado nas freguesias de Gafanha da Nazaré e Gafanha de Encarnação, no distrito de Aveiro, também em aves selvagens. Acrescenta a publicação que durante o início do mês já tinham sido confirmados focos no concelho de Alcácer do Sal e na Costa da Caparica, o que indica uma dispersão geográfica considerável.
Refere a mesma fonte que a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) voltou a pedir o cumprimento das boas práticas de produção, lembrando que o contacto entre aves domésticas e selvagens deve ser evitado e que as estruturas, equipamentos e materiais devem ser submetidos a procedimentos regulares de desinfeção.
Doença viral de elevada mortalidade nas aves
Explica o site da DGAV que a gripe aviária é uma doença altamente contagiosa que pode causar mortalidade muito elevada em aves infetadas. Conforme a mesma fonte, a infeção pode apresentar-se sob duas formas: de alta patogenicidade (GAAP), com disseminação rápida e mortalidade que pode atingir 100 % no prazo de 48 horas; ou de baixa patogenicidade (GABP), que normalmente provoca doença ligeira e passa facilmente despercebida.
Algumas estirpes da doença são capazes de infetar outros animais, incluindo seres humanos, embora tal dependa de contacto direto e prolongado entre as aves doentes e as pessoas.
Transmissão rara para humanos, mas com risco clínico relevante
A DGAV sublinha que os casos de transmissão a seres humanos são raros, mas, quando ocorrem, podem originar quadros clínicos graves. À escala internacional, os casos confirmados ocorreram sobretudo em contextos com ausência de medidas básicas de biossegurança e manuseamento inadequado de aves infetadas.
Segundo a mesma fonte, não existem, até ao momento, dados epidemiológicos que apontem para a transmissão da gripe aviária através do consumo de carne de aves de capoeira devidamente cozinhada ou de ovos.
Cumprimento das regras e vigilância reforçada
De salientar que a DGAV solicita a todos os produtores e criadores um acompanhamento regular do estado de saúde das aves e a comunicação imediata de qualquer situação de mortalidade ou alteração de comportamento. O organismo público pede particular atenção nas zonas onde exista proximidade com linhas de água ou locais frequentados por aves migratórias, onde o risco de propagação é maior.
As autoridades consideram essencial reforçar a vigilância nas próximas semanas, dado que a circulação do vírus se tem mantido de forma persistente desde o início do ano. Segundo a mesma fonte, as medidas de higiene, a não partilha de equipamentos entre explorações e a restrição do contacto entre espécies continuam a ser o meio mais eficaz para reduzir o risco de novos focos.
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