Ao longo de séculos, esta cidade no Algarve foi alvo de disputas ferozes, conquistada e reconquistada, elogiada em poesia e defendida com muralhas erguidas sobre colinas férteis. Ainda hoje conserva os traços dessa importância, visível no castelo grés vermelho, em torres que dominam o horizonte e em ruas onde o passado se impõe ao presente. A cidade algarvia foi considerada, durante a ocupação islâmica, a mais grandiosa do ocidente peninsular.
De acordo com a RTP Ensina, Silves era conhecida como a “Bagdade do Ocidente” (Bagdade é a capital do Iraque, país do Médio Oriente) durante os cerca de cinco séculos de domínio árabe.
Com um comércio próspero, intensa vida cultural e atividade naval relevante, a cidade chegou a contar com cerca de 30 mil habitantes e desempenhou, por várias vezes, o papel de capital do Algarve mourisco.
Castelo de grés e vista sobre o Arade
O castelo, edificado em arenito vermelho sobre uma colina da serra de Monchique, é descrito pela plataforma Visit Portugal como o mais importante monumento militar islâmico do país.
Do alto das suas muralhas é possível observar os campos em redor do rio Arade, ainda hoje cobertos por laranjeiras. No interior, conservam-se vestígios da alcáçova árabe e duas cisternas, uma das quais se crê comunicar com o rio.
Segundo a mesma fonte, a cidade foi conquistada temporariamente por D. Sancho I, em 1189, com o apoio da terceira cruzada. No entanto, o domínio cristão não duraria mais do que um ano, até o exército de Al-Mansur retomar o controlo. Só décadas depois, entre 1242 e 1246, é que D. Afonso III conseguiria a conquista definitiva, após o colapso do império almóada.
Uma catedral sobre a mesquita maior
Em frente ao castelo ergue-se a Sé Catedral, construída em grés local, também ela resultado da reconquista cristã.
De acordo com a publicação, esta estrutura substitui a antiga mesquita maior de Xilb, nome árabe da cidade, e representa um dos exemplos mais relevantes de arquitetura gótica no Algarve, com posteriores adições barrocas e elementos rococó, como a Porta do Sol.
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No Museu Municipal de Arqueologia podem ver-se achados da pré-história, do período romano e do período muçulmano. Explica o blog Vaga Mundos que o museu se organiza em torno de um poço-cisterna almóada dos séculos XII e XIII. Entre os artefactos, destacam-se peças do quotidiano urbano e fragmentos de decoração islâmica.
Portas da cidade e estratégia defensiva
Ainda conforme a mesma fonte, o sistema defensivo da cidade incluía várias muralhas, torres e fossos. Entre os vestígios remanescentes, destaca-se a Porta da Cidade, com entrada em cotovelo característica da tradição almóada, e uma torre albarrã construída também em grés vermelho. No topo desta torre funcionou a antiga Casa da Câmara.
A Igreja da Misericórdia, datada do século XVI, exibe um pórtico manuelino e um retábulo maneirista. A Praça do Município, arborizada e com uma fonte, concentra vários edifícios importantes como a Câmara Municipal, o Pelourinho e o Centro de Interpretação do Património Islâmico.
Casas, mercados e pontes
A Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica ocupa o antigo matadouro, construído em estilo neoárabe em 1914. O Mercado Municipal continua a ser um ponto de encontro entre habitantes e visitantes. A Ponte Velha, sobre o rio Arade, construída no século XV, é atualmente pedonal.
A Praça Al-Mutamid, junto ao rio, reúne árvores frondosas, fontes e esculturas evocativas. Já a Cruz de Portugal, situada à saída da cidade, é um cruzeiro em pedra cuja origem permanece incerta.
Herança e mudança de capital
Após a reconquista, a cidade assumiu o papel de capital do Reino do Algarve, título que viria a perder no século XVI. Segundo a RTP Ensina, esta função conferiu-lhe um perfil senhorial, visível ainda hoje na sua malha urbana e nos elementos patrimoniais preservados.
















