A associação Ecotopia Activa alertou para a situação “insustentável” do sistema de gestão de resíduos no Algarve, destacando a pressão crescente sobre o Aterro Sanitário do Sotavento e defendendo uma estratégia regional mais eficaz de transição para a economia circular.
Em comunicado, a organização considera que o atual modelo de gestão de resíduos continua “fortemente dependente da deposição em aterro”, realidade que, segundo a associação, contrasta com os objetivos definidos pela União Europeia no âmbito da sustentabilidade ambiental e da economia circular.
A Ecotopia Activa refere que dados públicos e estudos setoriais apontam para níveis muito elevados de encaminhamento de resíduos para aterro na região, “frequentemente na ordem dos 80 por cento”, refletindo “limitações estruturais na valorização dos resíduos e na eficiência dos sistemas de triagem e reciclagem”.
Associação critica limitações operacionais do sistema
A organização considera que o problema não resulta apenas de comportamentos individuais, mas também de fragilidades estruturais que exigem “investimento contínuo, reforço da capacidade de valorização e melhoria da eficiência operacional”.
A associação alerta ainda para a sobrelotação frequente dos ecopontos em vários pontos do Algarve, situação que considera demonstrar “constrangimentos na resposta operacional do sistema e na adequação da infraestrutura à produção real de resíduos”.
No comunicado, é igualmente referido o impacto da atividade turística sazonal na pressão exercida sobre o sistema de resíduos, bem como o aumento dos custos suportados pelos municípios e pelos cidadãos.
Ecotopia Activa pede mais sensibilização e reforço da recolha seletiva
A associação sublinha a importância da implementação efetiva da recolha seletiva de biorresíduos, prevista na legislação europeia, considerando-a “essencial para reduzir a dependência do aterro e promover a valorização da fração orgânica”.
A Ecotopia Activa defende também o reforço das campanhas de sensibilização ambiental junto da população, através de iniciativas em escolas, meios digitais, rádios locais, ações comunitárias e campanhas porta-a-porta.
A organização considera igualmente necessário reforçar os meios humanos, mecânicos, logísticos e operacionais associados à recolha seletiva, apelando à definição de “uma estratégia regional coerente de transição para a economia circular”.
“A continuidade de um modelo fortemente dependente de aterro não é compatível com as metas ambientais europeias nem com a resiliência ambiental do território algarvio”, conclui a associação.
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