Entre os muitos trilhos do sul de Portugal, há um passadiço no Algarve que se destaca pelas exigências físicas e pelas paisagens que oferece a quem se atreve a percorrê-lo. Pouco conhecido fora da região, este caminho desafia tanto os caminhantes experientes como os curiosos em busca de uma ligação mais íntima com a natureza.
Situado numa das zonas mais elevadas do Algarve, o passadiço combina escadarias intermináveis, desníveis acentuados e uma travessia que, para muitos, exigirá mais do que pernas firmes: exigirá coragem. Embora a sua extensão não ultrapasse um quilómetro, não se trata de um simples passeio ao ar livre.
Entre escarpas e biodiversidade
De acordo com o site NiT, o percurso liga a aldeia de Alferce ao cimo do Cerro do Castelo de Alferce, no concelho de Monchique.
Este traçado atravessa o desfiladeiro conhecido localmente como Barranco do Demo, nome que por si só deixa antever o tipo de desafio que representa.
A estrutura principal, um passadiço de madeira inaugurado em 2023, oferece não só vistas sobre a serra algarvia, como também acesso a zonas até então praticamente inacessíveis. Trata-se de um investimento que combina turismo de natureza com valorização do território.
Uma ponte que testa limites
A meio do percurso, ergue-se uma ponte suspensa com 50 metros de comprimento e cerca de 20 metros de altura, atravessando o desfiladeiro de uma margem à outra.
Segundo a mesma fonte, esta travessia pode ser o momento mais desafiante da caminhada para quem tem receio de alturas.
Apesar de descrito como acessível, o trajeto impõe mais de 500 degraus e zonas estreitas, exigindo alguma preparação física.
As subidas e descidas não são técnicas, mas podem tornar-se exigentes em dias quentes ou húmidos, típicos da serra de Monchique.
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O impulso local por detrás do projeto
O desenvolvimento do passadiço foi conduzido pela Junta de Freguesia de Alferce, com apoio da Câmara Municipal de Monchique. Paulo Alves, presidente da autarquia, explicou que o objetivo do projeto era proporcionar acesso a “sítios únicos, à natureza em bruto”.
A aposta foi pensada para aliar turismo sustentável à promoção do património natural da região. A estrutura não só respeita o traçado natural do terreno como também preserva a vegetação local e a fauna característica da serra.
Uma nova referência no turismo activo
O percurso já se tornou uma referência entre os praticantes de trekking e caminhadas, sobretudo pela conjugação entre adrenalina e paisagem.
A ponte suspensa, em particular, começa a surgir nas redes sociais de quem visita a região, funcionando como elemento distintivo.
Segundo explica o site NiT, esta aposta no turismo de natureza visa não apenas dinamizar a economia local, mas também diversificar a oferta para além das tradicionais praias algarvias. A serra de Monchique apresenta assim uma alternativa para quem procura experiências mais imersivas.
Quando ir e o que levar
Embora seja possível visitar este passadiço do Algarve durante todo o ano, os meses de primavera e início do outono são os mais aconselhados.
As temperaturas são amenas e a paisagem exibe a sua variedade cromática. O calçado adequado, água e proteção solar são indispensáveis.
Não há custo de entrada nem necessidade de guia, mas recomenda-se precaução, especialmente para quem tem vertigens ou mobilidade reduzida. A experiência, garante quem já a viveu, compensa qualquer esforço.
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