O escritor Daniel Jonas recebeu esta segunda-feira, em Loulé, o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários, tornando-se o décimo primeiro autor distinguido por este galardão promovido pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) e pela Câmara Municipal de Loulé. A cerimónia integrou o programa comemorativo do Dia do Município.
O prémio distinguiu a obra A Justa Desproporção, escolhida entre 23 candidaturas admitidas a concurso.

O júri foi constituído por Carlos Albino Guerreiro, Isabel Cristina Mateus, da Universidade do Minho, e José Carlos Seabra Pereira, da Universidade de Coimbra.
Uma estreia premiada no género da crónica
Na apresentação da obra vencedora, Carlos Albino Guerreiro destacou tratar-se de um livro que “ensina a cuidar do pensamento interior”, composto por “breves peças literárias acessíveis a todo o tipo de leitor”.
O porta-voz do júri descreveu A Justa Desproporção como um conjunto de “meditações, a maior parte das vezes irónicas, apontamentos de intimidade, notas diarísticas, por vezes achados burlescos, graças e desafios”, escritos por alguém que procura registar aquilo que o quotidiano lhe ensina.

As crónicas percorrem referências tão diversas como a astrologia, as artes, a gastronomia, o cinema e a música, cruzando autores e universos distintos, de Shakespeare a Bob Dylan, de Buñuel a Rui Reininho, passando por diferentes sonoridades da música country, soul ou eletrónica.
Durante a cerimónia, Daniel Jonas assumiu o carácter intimista do livro premiado. “São reflexões desproporcionadas, às vezes só com uma frase, outras vezes com algumas páginas, mas a ideia era expor a minha hipótese de fala-baratismo sem maçar ninguém”, afirmou. O escritor acrescentou ainda, com ironia: “Agora, ao transformar isto em livro e ao ser honrado com este prémio, acho que vou maçar mais pessoas”.
Loulé reafirma aposta na cultura e na literatura
Com esta distinção, Daniel Jonas junta-se a autores como José Tolentino Mendonça, Rui Cardoso Martins, Mário Cláudio, Pedro Mexia, Lídia Jorge, José Eduardo Agualusa, Miguel Esteves Cardoso, Dulce Maria Cardoso ou Helder Macedo, anteriormente premiados no âmbito deste galardão.
À semelhança dos vencedores anteriores, o escritor regressará futuramente ao concelho para participar em iniciativas e encontros dirigidos a alunos, promovendo a leitura e o contacto com a literatura contemporânea.

José Manuel Mendes, presidente da APE, sublinhou a relevância cultural do prémio ao longo dos seus onze anos de existência. “Trata-se de um prémio a vários níveis essencial, não só no elenco daqueles que são atribuídos pela APE, mas também no plano conjunto da vida cultural do país”, afirmou.
O responsável destacou ainda a importância da crónica enquanto género literário ligado ao quotidiano e aos meios de comunicação, defendendo que, apesar das dificuldades enfrentadas pela imprensa, “a crónica não vai acabar, antes pelo contrário, vai reforçar-se”.

Também o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, reforçou o compromisso do município com a continuidade desta parceria cultural.
“Queremos reafirmar Loulé na cultura, na iniciativa de projetos como este, e vamos continuar a trabalhar para o futuro”, declarou o autarca, defendendo ainda que “as pessoas estão a ficar formatadas e a criatividade trabalha-se, através de ações como esta”, afirmou o autarca.
Leia também: GNR apreende mais de 800 litros de aguardente de medronho ilegal em Loulé
















