O projeto de reabilitação dos Banhos Islâmicos e da Casa Senhorial dos Barreto, em Loulé, recebeu uma Menção Especial nos Architizer A+Awards 2026, na categoria de Cultural & Expo Centers, reforçando a projeção internacional do património e da arquitetura do concelho.
A distinção foi atribuída por um júri internacional composto por centenas de especialistas da área da arquitetura, design e património, colocando a intervenção realizada em Loulé entre um grupo restrito de projetos reconhecidos à escala mundial.
Segundo a organização, o júri destacou “a capacidade da arquitetura transformar um passado fragmentado num lugar cultural vibrante para o século XXI”.
O projeto premiado, designado “A new cultural hub: Islamic Baths and 15th century Manor House”, resultou da intervenção conduzida pela vmsa em parceria com o Município de Loulé.
Projeto uniu património islâmico e arquitetura contemporânea
A intervenção incidiu sobre dois elementos patrimoniais de grande relevância histórica: o Hammam Islâmico do século XII, considerado o único documentado em Portugal e um dos mais completos da Península Ibérica, e a Casa Senhorial dos Barreto, do século XV.
O projeto enfrentou o desafio de preservar e valorizar dois patrimónios distintos num núcleo urbano histórico particularmente denso.
A estratégia adotada assentou numa “filosofia de intervenção mínima”, promovendo uma “costura” arquitetónica entre as várias camadas históricas do espaço.
Entre os aspetos destacados internacionalmente encontram-se a criação de uma estrutura contemporânea para proteção e valorização do monumento, soluções técnicas aplicadas nas salas do Hammam e o restauro das colunas da Casa Senhorial, apoiado num exaustivo trabalho arqueológico.
Segundo os responsáveis, o objetivo passou por valorizar “as evidências arqueológicas in situ como memória física”, permitindo que “cada época comunique de forma clara”.
De ruína abandonada a referência internacional
O Município de Loulé sublinha que o espaço, anteriormente em estado de ruína e inacessível ao público, se transformou numa experiência museológica integrada e num importante polo cultural.
O projeto já tinha contribuído para a classificação do conjunto como Monumento Nacional e para a conquista do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana.
A nova distinção internacional reconhece a capacidade da intervenção arquitetónica em adaptar o património “a um uso contemporâneo, como motor de identidade e de atratividade turística e cultural”.
Os Architizer A+Awards são considerados um dos mais importantes prémios internacionais de arquitetura, contando com uma audiência superior a 400 milhões de pessoas.
A Menção Especial atribuída ao projeto de Loulé é reservada a menos de 10% das candidaturas apresentadas anualmente.
Prémio distingue arquitetura com impacto social e cultural
Os prémios Architizer avaliam não apenas a qualidade estética dos projetos, mas também o seu impacto cultural, urbano e social.
Segundo a organização, a distinção atribuída ao projeto de Loulé confirma que a reabilitação dos Banhos Islâmicos constitui “um exemplo global de como a arquitetura pode construir ‘melhores cidades e um mundo melhor’”.
O júri da edição de 2026 integrou mais de 400 especialistas internacionais ligados à arquitetura, museologia e design, incluindo representantes de instituições como o Museum of Modern Art e o Eames Institute.
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