O Museu de Portimão inaugura no próximo dia 20 de setembro, às 17:00, a exposição “Nuno Júdice – O Prazer das Imagens”, que poderá ser visitada até 18 de janeiro de 2026.
Com curadoria de José Gameiro, Manuela Júdice e Filipa Leal, a mostra propõe uma viagem pela escrita do poeta algarvio, acompanhada de obras de alguns dos seus “companheiros de viagem”, como Graça Morais, Júlio Pomar, Jorge Martins, Rui Chafes, Manuel Amado, Duarte Belo, ou os franceses Bernard Cornu, Colette Deblé e Julie Ganzin.

A exposição inclui ainda poemas inéditos de Nuno Júdice e depoimentos de figuras como o ator e encenador Luís Miguel Cintra ou Donatien Grau, conselheiro da Presidência do Museu do Louvre para programas contemporâneos. O público poderá igualmente assistir aos documentários “Eco, Nuno Júdice”, de Rita Féria e Teresa Júdice da Costa, e “Nuno Júdice,3”, do Arquivo RTP, gravado em 1975 no programa Com Todas as Letras.
Ao longo da sua vida, o poeta desenhou, fez colagens e fotografou, reunindo mais de 20 cadernos inéditos. Uma dessas páginas, que inclui o poema “Derrapagem”, datado de 30 de dezembro de 2015, será mostrada pela primeira vez. Dez anos depois, esse mesmo poema inspirou a pintora Manuela Pimentel a criar uma obra homónima que estará também em exposição.
Entre as peças em destaque encontra-se ainda um dos mais célebres poemas de Júdice, “Receita para fazer o azul”, cujos versos iniciais evocam a fusão entre céu e madrugada:
“Se quiseres fazer azul,/ pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,/ que possas levar ao lume do horizonte;/ depois mexe o azul com um resto de vermelho/ da madrugada, até que ele se desfaça; (…)”.
Logo à entrada, os visitantes encontrarão um inédito datado de 1967, escrito à máquina em tons de azul, no qual o autor descreve: “Um Chagall, le poète et son double, rosto azul, cavalo. Rússia./ O porto de Lisboa com guindastes e gaivotas, dia nublado, sem horizonte”. O texto remonta à sua primeira viagem a Paris, onde esteve acompanhado por Luís Miguel Cintra, amigo de juventude e colega de liceu.
Em 2023, Nuno Júdice foi convidado por Donatien Grau a integrar o livro “100 Poètes d’aujourd’hui: Poésie du Louvre”, publicado pelo museu parisiense. O poeta algarvio participa com o poema “A Inspiração do Poeta”, ao lado de nomes como Tahar Ben Jelloun, Jon Fosse ou Hélène Dorion. A obra chegou às mãos de Júdice poucos dias antes da sua morte, em Lisboa, aos 74 anos.
Natural da Mexilhoeira Grande, concelho de Portimão, onde nasceu em 1949, Nuno Júdice deixa um legado literário de dimensão internacional. Como escreveu num dos seus poemas em colaboração com Rui Chafes: “Olha: se o intervalo das estrelas/te restitui a imagem do nada, não deixes/de o fixar.”
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