Viajar de avião pode ser uma experiência agradável, mas nem sempre corre de forma tranquila. Alguns destinos populares têm vindo a destacar-se negativamente devido ao comportamento a bordo. Quem o afirma é uma ex-hospedeira de bordo que partilhou relatos de situações perturbadoras vividas durante os voos.
Relatos de bordo
Kristina Galvydyte, ex-hospedeira de uma companhia aérea britânica, revelou recentemente várias experiências negativas acumuladas ao longo do tempo. Entre os episódios partilhados estão situações de gritos, consumo suspeito de substâncias ilícitas nas casas de banho do avião, insultos, overdoses e vómitos a bordo, principalmente nas rotas para Ibiza e as Ilhas Canárias.
Estes relatos, obtidos por observação direta ou por partilha de colegas, revelam um lado menos conhecido das viagens aéreas, onde o comportamento de alguns passageiros se torna um desafio para as equipas que asseguram a segurança e o conforto durante o voo.
Destinos com maior registo de incidentes
Segundo o Daily Express, há locais turísticos que se destacam pela frequência com que estas ocorrências se verificam. A ex-hospedeira referiu estas ilhas espanholas, e deu o maior destaque a Tenerife. Estas rotas são apontadas como sendo das mais difíceis de operar.
Citada pela mesma fonte, esta ex-hospedeira de bordo afirmou que “voar para estes locais é horrível” devido ao ambiente que se gera, muitas vezes associado ao comportamento descontrolado de alguns passageiros. A popularidade destes destinos contribui para o aumento do número de voos e, com isso, da probabilidade de ocorrências indesejadas.
Números que ajudam a compreender o fenómeno
No último ano foi registado que um em cada cinco turistas de verão em Ibiza era proveniente do Reino Unido. Ao todo, foram 833.259 visitantes britânicos até 30 de setembro. As Ilhas Canárias também receberam um número expressivo de turistas desse país, representando 40% de todas as chegadas internacionais, num total de 6,3 milhões de visitantes.
Excessos que forçam medidas
A acumulação de comportamentos problemáticos levou as companhias aéreas a adotar medidas mais firmes. Em 2023, um voo entre Manchester e Ibiza teve de ser desviado após um passageiro ter consumido uma garrafa de vodka, agredido elementos da tripulação e cuspido noutros passageiros, conforme refere a mesma fonte.
Em resposta, a transportadora envolvida, Ryanair, anunciou medidas para conter este tipo de comportamentos. O presidente executivo, Michael O’Leary, propôs limitar a dois o número de bebidas alcoólicas permitidas por passageiro.
Reforço nas penalizações e novas regras
Além da limitação no consumo de álcool, a Ryanair anunciou a aplicação de coimas a passageiros que tenham de ser retirados dos voos devido ao comportamento. As multas começam nas 500 libras, cerca de 580 euros, e a companhia compromete-se a recorrer aos tribunais para recuperar eventuais prejuízos.
“Não é fácil identificar quem está embriagado”, declarou o presidente da companhia, citado pela mesma fonte. “Enquanto conseguirem andar, embarcam. Depois, quando o avião descola, é quando os problemas começam”, explicou.
Legislação local reforça controlo
No início deste ano, foi divulgada uma nova lei nas Ilhas Baleares, que abrange locais como Maiorca, Menorca, Ibiza e Formentera. Esta legislação visa combater o ruído e perturbações causadas por festas em alojamentos turísticos e multar quem não cumprir as regras locais.
Um desafio crescente para o setor
O aumento de turistas em destinos populares levanta novos desafios para o setor da aviação. A gestão do comportamento a bordo tornou-se uma prioridade, tanto para proteger a integridade da tripulação como para assegurar a tranquilidade dos restantes passageiros.
De acordo com o Daily Express, as companhias aéreas procuram agora implementar medidas preventivas e dissuasoras para travar este tipo de incidentes. Paralelamente, as autoridades locais tentam reforçar a legislação para reduzir excessos dos turistas.
O equilíbrio entre turismo e responsabilidade
À medida que o número de turistas continua a crescer, especialmente em épocas de maior movimento, reforça-se a necessidade de um comportamento mais responsável por parte de quem viaja. A convivência a bordo e o respeito pelos outros são fundamentais para garantir a segurança e o bem-estar de todos.
As medidas tomadas tanto pelas companhias aéreas como pelas autoridades locais são um reflexo da importância que este tema ganhou nos últimos anos. Trata-se de proteger não só os destinos turísticos como também a própria experiência de quem viaja.
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