A taxa turística começará a ser cobrada em Santiago de Compostela a partir de 1 de outubro de 2025. O anúncio foi feito pela vereadora do Turismo, Míriam Louzão, que confirmou a alteração da data inicialmente prevista para agosto, cedendo assim aos pedidos dos profissionais do setor hoteleiro. De acordo com o jornal El Confidencial, a decisão surgiu após uma reunião aberta com representantes do alojamento local, que expressaram preocupação com a sobrecarga operacional em pleno verão.
A medida, que ainda terá de ser aprovada formalmente na sessão plenária da câmara municipal agendada para 31 de julho, estabelece um pagamento diário entre 1 e 2,5 euros por viajante, conforme o tipo de estabelecimento. O máximo previsto é de cinco dias consecutivos por estadia. Estarão isentos do pagamento os menores de idade, segundo a mesma fonte.
Pressão do setor adia implementação
A proposta da taxa turística gerou reações imediatas entre os operadores turísticos da capital galega, sobretudo pela proximidade com os meses de maior afluência, como agosto e setembro. Conforme escreve o El Confidencial, as principais críticas apontavam para reservas já confirmadas sem esta previsão de custo adicional, bem como a dificuldade em adaptar sistemas de faturação e equipas reduzidas em plena época alta.
A solução encontrada pela autarquia passará por incluir uma disposição final no texto legal que define a entrada em vigor apenas para outubro. Assim, Santiago tornar-se-á a primeira autarquia da Galiza a aplicar esta taxa, mas fá-lo-á já fora do pico da temporada turística.
Entre pedras antigas e ruas cheias de vida
Para além desta decisão administrativa, Santiago de Compostela continua a afirmar-se como um dos destinos mais procurados da Península Ibérica. De acordo com o Vaga Mundos, o centro histórico da cidade é Património Mundial da UNESCO desde 1985, estatuto reforçado em 1993 com a inclusão do Caminho de Santiago na mesma lista. A cidade recebe anualmente milhares de peregrinos e visitantes, atraídos pelo seu património religioso, mas também pela vivência urbana e cultural que a distingue.
O centro da capital galega, conhecido como cidade velha, reúne estilos arquitetónicos diversos, desde o românico ao barroco, espelhados em igrejas, conventos e palácios. Conforme a mesma fonte, cada rua convida a um percurso entre épocas, onde a espiritualidade se mistura com o quotidiano.
O que muda a partir de outubro
Segundo o El Confidencial, a taxa incidirá sobre todas as unidades de alojamento turístico, incluindo hotéis, hostels e apartamentos locais. O valor específico dependerá da categoria do espaço, sendo de 1 euro para alojamentos mais económicos e podendo atingir 2,5 euros nas unidades de luxo. Esta contribuição será limitada aos primeiros cinco dias de estadia, independentemente da duração da visita.
A aplicação desta taxa enquadra-se num movimento mais amplo de cidades europeias que pretendem reforçar a sustentabilidade do turismo. A receita arrecadada deverá ser canalizada para ações de preservação do património e melhoria dos serviços urbanos.
Cidade viva, cidade cuidada
Embora a cidade seja frequentemente associada à religiosidade e ao passado histórico, a mesma publicação destaca o seu dinamismo contemporâneo, com uma agenda cultural ativa e uma vida universitária expressiva. O turismo, especialmente ligado ao Caminho de Santiago, continua a ser uma das principais fontes de rendimento para o comércio local.
Com a introdução da taxa, Santiago junta-se a outras cidades europeias que procuram equilibrar a atratividade turística com a necessidade de preservar o seu tecido urbano. Para os viajantes, a medida traduz-se numa ligeira atualização de custos, mas para a cidade poderá representar um contributo relevante para manter viva a herança que a distingue.
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