Com a chegada do verão, a procura por espaços públicos para combater o calor aumenta. As piscinas municipais tornam-se, por isso, locais muito frequentados por quem procura refrescar-se, relaxar ou simplesmente usufruir de algum tempo ao ar livre. No entanto, a pressão sobre as infraestruturas de uma piscina pode revelar tensões latentes e conduzir a medidas extraordinárias.
É o que está a acontecer em Porrentruy, uma cidade suíça localizada perto da fronteira com França. A sua piscina municipal ao ar livre tornou-se recentemente o centro de uma decisão polémica, após o Conselho Municipal e a União Intermunicipal do Distrito terem decidido restringir o acesso ao equipamento a cidadãos suíços ou titulares de autorização de residência ou trabalho no país.
Calor, multidões e problemas de comportamento
De acordo com a Executive Digest, a medida foi justificada com base nas elevadas temperaturas e num “fluxo extremo de visitantes” verificado nos últimos dias. Segundo a mesma fonte, desde o início da época balnear, mais de 20 pessoas foram retiradas do recinto e proibidas de regressar, devido a comportamentos considerados “inapropriados, incivilizados e desrespeitosos”.
O executivo local optou então por “reagir”, avançando com uma medida com efeitos imediatos. O objetivo declarado passa por “preservar um ambiente sereno, respeitoso e seguro” para todos os utilizadores regulares da piscina.
Impacto direto na população fronteiriça
Escreve a publicação que esta restrição afeta sobretudo os residentes franceses, tendo em conta que Porrentruy se situa apenas a cerca de dez quilómetros da fronteira. A decisão surpreendeu muitos desses frequentadores, uma vez que a piscina é usada habitualmente por um número significativo de cidadãos vindos do país vizinho.
Segundo os órgãos de comunicação social locais, até 95% dos banhistas regulares da piscina poderão ser impedidos de aceder ao local até ao final de agosto, data prevista para o termo da proibição. No entanto, os responsáveis reiteraram que a medida não pretende ser discriminatória, recordando que já estavam em vigor tarifas diferenciadas e uma lotação máxima estabelecida.
Autarca defende-se das críticas
O presidente da câmara de Porrentruy, Philippe Eggertswyler, rejeita acusações de discriminação. “Precisamos encarar o problema de forma diferente. Hoje há um grande fluxo de pessoas e é essencial garantir que os moradores da nossa cidade possam usufruir dessa infraestrutura”, afirmou, citado pelo Executive Digest.
Segundo o autarca, a implementação da medida resultou num ambiente mais calmo. Desde então, não se registaram novos episódios de comportamento inadequado.
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Críticas vindas de França e não só
A decisão suscitou forte cobertura mediática em França. Órgãos ,como a Europe 1, CNews e TF1 deram destaque ao caso, o que obrigou Eggertswyler a responder a diversos pedidos de esclarecimento, incluindo de meios alemães e austríacos. A polémica também motivou reações políticas.
Conforme a Swissinfo, Matthieu Bloch, deputado da Assembleia Nacional Francesa, manifestou intenção de se reunir com o presidente da câmara de Porrentruy para debater o assunto.
Comissão federal aponta para possível discriminação
A Comissão Federal Suíça contra o Racismo também se pronunciou. Em declarações divulgadas pelo Blick, RTS e Le Temps, citadas pelo Swissinfo, a entidade alertou que “essa proibição geral aos estrangeiros é irritante, mesmo que não seja punível”. Acrescenta ainda que tal prática “vai contra o princípio constitucional da não discriminação”.
Segundo a mesma fonte, a comissão considera que medidas como esta devem ser cuidadosamente ponderadas, sobretudo quando envolvem critérios de nacionalidade.
Medida é temporária, mas reações são duradouras
Apesar de temporária, válida até 31 de agosto, a decisão deixou marcas. Philippe Eggertswyler reconheceu, em declarações à agência Keystone-ATS citadas pela Swissinfo, que “nunca é fácil tomar uma decisão como essa”. Sublinha que, mesmo não sendo profissionais da política, os responsáveis locais tentam responder às situações da melhor forma possível.
Um equilíbrio difícil de manter
Entre a necessidade de manter a ordem nos espaços públicos e a obrigação de respeitar princípios legais e constitucionais, os municípios enfrentam desafios crescentes, especialmente em zonas fronteiriças.
A situação em Porrentruy levanta questões sobre a forma como se deve lidar com a pressão demográfica sazonal, sem recorrer a exclusões que podem ser percecionadas como discriminatórias.
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