Se optares por não ativar o modo avião durante um voo, “nada de catastrófico acontece”. Não há risco de queda, nem de falha de motores. No entanto, a aviação continua a insistir nesta regra por uma razão clara: evitar distrações técnicas e garantir a máxima fiabilidade dos sistemas a bordo. De acordo com o 20minutos, o piloto comercial Perico Durán explicou, num episódio do podcast “Tómatelo con vino”, que o impacto real é limitado, mas suficiente para justificar o aviso repetido em todas as viagens.
Segundo o mesmo comandante, “as pessoas pensam que pode acontecer algo se não colocarmos o modo avião” e a verdade é que deixar o telemóvel ligado “não é grave”, mas pode gerar pequenas interferências nos sistemas eletrónicos da aeronave. Embora estas situações não comprometam a segurança do voo, aumentam a probabilidade de alertas falsos ou leituras imprecisas, que, por sua vez, obrigam a verificações adicionais durante momentos críticos.
Um gesto pequeno, mas com impacto técnico
O piloto sublinha que os aviões estão preparados para lidar com este tipo de situações. A razão pela qual as companhias pedem aos passageiros que ativem o modo avião prende-se sobretudo com uma política de tolerância zero ao risco. Na aviação comercial, qualquer elemento que possa causar uma distração desnecessária deve ser evitado.
Escreve a mesma publicação que não se trata de um capricho, nem de um mito. A utilização de dispositivos com ligação ativa a redes móveis pode causar ruído eletromagnético. Este fenómeno, ainda que raro, pode influenciar o normal funcionamento de determinados sistemas, como os de navegação ou comunicação.
Nem todos os aparelhos causam problemas
Apesar de os telemóveis modernos estarem cada vez mais adaptados para coexistirem com as tecnologias das aeronaves, a norma mantém-se. Explica o 20minutos que, por prudência, os passageiros continuam a ser instruídos a desligar as comunicações móveis assim que entram no avião. A ativação do modo avião, que desliga todas as ligações sem fios, é a forma mais simples de cumprir essa exigência.
Refere ainda o comandante Perico Durán que, mesmo sem consequências graves, o uso indevido de dispositivos eletrónicos pode levar a mensagens de erro que confundem os pilotos ou obrigam a processos desnecessários. É por isso que as tripulações insistem neste pedido, mesmo sabendo que o risco é reduzido.
Uma medida que protege a concentração
Acrescenta a mesma fonte que a principal preocupação é a fiabilidade. Durante as fases de descolagem e aterragem, em particular, todos os fatores que possam interferir na operação segura da aeronave são eliminados sempre que possível. Neste contexto, o modo avião surge como um mecanismo simples para garantir que a cabine se mantém livre de ruído técnico.
Quer isto dizer que ativar o modo avião não impede acidentes, porque esses, na verdade, não resultam deste tipo de erro. Mas ajuda a manter os sistemas estáveis, evita alarmes desnecessários e reduz o risco de falha humana associada a uma distração. A regra persiste por razões de segurança.
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