O que parecia ser apenas mais um jantar entre amigos acabou por se transformar numa história que está a dar que falar, que pode muito bem chegar a Portugal. Um grupo foi surpreendido com a obrigação de gastar mais dinheiro antes de poder sair do restaurante. A culpa? Uma nova política de consumo mínimo que já está a espalhar-se por alguns países da União Europeia (UE).
Uma noite que começou normal
O caso foi contado pelo jornal francês La Dépêche, e citado pelo jornal espanhol AS. Yarno e os amigos marcaram mesa num restaurante do Hotel Yalo, em Gante, na Bélgica. O plano era simples: jantar descontraído, umas partilhas à mesa e vinho para acompanhar.
Chegaram, sentaram-se e pediram vários pratos para dividir. Para beber, escolheram duas garrafas de vinho rosé. O ambiente estava animado, entre brindes e conversa. Nada fazia prever o que viria a seguir. Quando pediram a conta, já pensavam em sair. Mas o empregado regressou não com um simples talão, e sim com um aviso: o consumo mínimo obrigatório era de 65 euros.
Momento da surpresa
Não era uma sugestão, era uma regra. Teriam de pedir mais comida ou bebida até atingir esse montante. O choque foi evidente. Nenhum deles se lembrava de ter visto tal informação na sala. Mas o hotel garante que a política está explicada no site.
A justificação: combater os “no-shows”
Segundo a gerência, esta prática serve para compensar as perdas causadas por clientes que reservam e depois não aparecem. Um problema crescente que se agravou após a pandemia.
Os “no-shows” deixam mesas vazias, staff pago e comida comprada: tudo sem retorno. E, para alguns empresários, a solução passa por garantir um consumo mínimo por reserva, de acordo com a mesma fonte.
Uma tendência que cresce na Europa
Na Bélgica, este sistema começa a ser cada vez mais usado, sobretudo em restaurantes de hotéis ou locais de alta procura. O objetivo é simples: assegurar rentabilidade e evitar prejuízos. Outros países da UE já aplicam medidas semelhantes. Em França e Itália, o valor mínimo pode variar entre os 20 e os 100 euros, dependendo do tipo de restaurante.
Nem todos concordam
Se para alguns restauradores é uma estratégia justa, para outros é arriscada. O receio é que esta exigência funcione como um travão, afastando clientes que preferem refeições mais ligeiras. Afinal, ninguém gosta de sentir que é obrigado a gastar mais do que queria só para poder sair.
Política que divide opiniões
Há quem aceite estas condições quando está em zonas turísticas muito concorridas, onde o espaço vale ‘ouro’. Mas, em contextos mais informais, esta regra pode causar indignação. No caso de Yarno e dos amigos, não houve outra opção: pediram mais até chegar ao valor. Pagaram, e saíram com a sensação de que o jantar ficou mais caro do que tinham imaginado, de acordo com o jornal AS.
E assim, o que começou como uma refeição tranquila terminou como um exemplo claro de uma tendência que, para o bem ou para o mal, pode estar prestes a cruzar fronteiras.
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