Na Ilha de Ross, na Antártida, ergue-se um dos vulcões mais singulares do planeta. O monte Erebus é conhecido por ser o vulcão ativo mais a sul do mundo e por manter, desde há décadas, um lago de lava permanente. Mas uma descoberta recente veio acrescentar uma nova camada de interesse científico: este vulcão emite partículas microscópicas de ouro todos os dias.
De acordo com o canal norte-americano ABC News, as emissões do Erebus contêm pó metálico em suspensão, que se dispersa na atmosfera polar. Estima-se que o vulcão possa libertar até 80 gramas de ouro por dia, o que, à cotação atual, corresponderia a cerca de seis mil euros.
Partículas douradas transportadas pelo vento
Segundo a mesma fonte, estas partículas foram detetadas através de análises atmosféricas realizadas a grande distância da cratera, o que comprova a capacidade de dispersão dos ventos antárticos.
A descoberta não tem implicações económicas diretas, uma vez que não existe viabilidade técnica para a recolha deste material. Como explicam os investigadores citados pela ABC News, o ouro encontra-se sob a forma de partículas microscópicas, de difícil concentração e recolha.
Estudo abre portas a novas linhas de investigação
Acrescenta a publicação que este fenómeno raro está agora a ser estudado com atenção redobrada, por poder contribuir para uma melhor compreensão dos processos geológicos associados à formação e libertação de metais preciosos em ambientes vulcânicos.
A equipa de cientistas destaca que o Erebus funciona como um laboratório natural no extremo do planeta, permitindo observar fenómenos que dificilmente poderiam ser reproduzidos em contexto controlado.
Décadas de monitorização científica contínua
O monte Erebus tem sido objeto de investigação desde o final dos anos 1970. Refere a mesma fonte que os primeiros indícios da presença de metais nas emissões vulcânicas remontam a essa altura, mas só recentemente foi possível quantificar com maior rigor a libertação diária de ouro.
A manutenção do lago de lava ao longo de mais de meio século oferece condições excecionais para o estudo contínuo da atividade vulcânica num ambiente extremo.
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Impactos do clima e da pressão glacial
Para além do interesse geológico, o Erebus está também no centro de estudos relacionados com as alterações climáticas. Conforme sublinha o investigador José Pichel, citado em vários trabalhos académicos, o degelo progressivo pode alterar a pressão exercida sobre as câmaras magmáticas subglaciares, modificando o comportamento dos vulcões.
Segundo a mesma fonte, este fenómeno poderá contribuir para o aumento da atividade vulcânica na Antártida Ocidental, com potenciais consequências para o equilíbrio dos glaciares e o nível médio do mar.
Tragédia marcou a história do monte Erebus
A 28 de novembro de 1979, o monte Erebus foi cenário de uma das maiores tragédias aéreas da história recente. O voo 901 da Air New Zealand colidiu com as encostas do vulcão durante um voo turístico, provocando a morte de 257 pessoas.
As investigações apontaram para um fenómeno de whiteout, uma condição visual extrema em que o céu e o solo parecem fundir-se, eliminando a perceção de relevo e profundidade.
Um vulcão ativo num dos locais mais inóspitos do planeta
Com 3.794 metros de altitude, o Erebus mantém uma atividade constante, o que o torna único no contexto polar. A sua localização remota e o ambiente hostil da Antártida dificultam o acesso, mas também oferecem condições raras para a preservação de dados atmosféricos e geológicos.
A emissão de ouro neste vulcão, embora impossível de explorar comercialmente, levanta questões relevantes sobre a composição química dos gases vulcânicos e os processos internos do planeta.
O valor simbólico de um fenómeno raro
Embora o ouro libertado pelo Erebus não seja aproveitável, a sua existência é um lembrete do potencial mineral escondido sob o gelo antártico.
Para os cientistas, representa mais uma peça no puzzle da compreensão da dinâmica terrestre, especialmente em zonas onde o impacto humano é quase inexistente.
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