Uma dúvida repete-se em inúmeras casas portuguesas quando chega o mês de dezembro. Deve abrir-se as prendas na noite de 24 de dezembro, logo após a consoada, ou na manhã de 25, transformando o despertar num momento de surpresa. O tema é simples, mas toca a rotina da família e a forma como se celebra o Natal em cada lar.
Prática predominante em Portugal e a sua origem
De acordo com o site da RTP, muitas famílias portuguesas mantêm a tradição de trocar presentes na noite da consoada, depois da refeição que reúne gerações à volta da mesa.
A consoada é, para muitos, o ponto alto das celebrações. Em volta da mesa servem-se pratos tradicionais que variam por regiões e prolongam-se conversas e memórias.
Abrir as prendas nessa altura prolonga o convívio, permite que todos, avós, pais e filhos, partilhem o momento e insere o acto da troca no próprio cerimonial da noite. Nem todas as famílias seguem essa cadência.
A escolha entre noite e manhã depende de factores práticos. Quando há crianças pequenas, quando familiares viajam ou quando se privilegia o descanso após a Missa do Galo, a manhã de 25 acaba por ser a opção mais confortável e por vezes mais emocionante para os mais novos.
Variações regionais e razões práticas
Em regiões onde a consoada é tardia ou onde a tradição religiosa dita a ida à Missa do Galo, algumas famílias concentram a troca de prendas na manhã do dia 25. Nesse cenário, a árvore fica carregada de embrulhos durante a noite e o despertar transforma-se numa descoberta colectiva.
Noutras casas abre-se um ou dois presentes à noite para acalmar a ansiedade das crianças e deixa-se o grosso para a manhã seguinte. Estas nuances reflectem um encaixe entre tradição e logística, não uma ruptura com a herança cultural.
Escolha familiar
A decisão raramente é apenas simbólica. Influenciam-na horários, idades dos elementos da família, hábitos religiosos e até a geografia das deslocações. Há quem prefira a intimidade e o simbolismo da troca noturna, e há quem valorize a luz do dia e o efeito surpresa do despertar. Em alguns lares as duas práticas coexistem: um presente aberto à noite e o restante identificado para a manhã.
No fim, aquilo que se preserva é a função social do gesto. A troca de presentes articula-se com a reunião familiar, com o reforço de laços e com a construção de memórias que perduram além da quadra.
Segundo a RTP, a forma como cada família organiza esse momento revela tanto a continuidade de costumes como a sua capacidade de adaptação às rotinas contemporâneas.
A escolha entre noite e manhã volta sempre a colocar a mesma pergunta, mas a resposta está nas práticas de cada casa. O que conta não é tanto a hora marcada no relógio mas o sentido do encontro e da partilha à volta da árvore.
















