Viajar de avião dentro da Europa continua a ser uma das formas mais práticas de fazer férias, sobretudo quando se encontra um bilhete barato. No entanto, o preço anunciado nem sempre corresponde ao valor final pago. Os custos extra nestas companhias low cost, muitas vezes não incluídos no preço-base, podem transformar uma viagem económica num encargo inesperado.
A maioria das companhias aéreas low cost anuncia tarifas muito competitivas. No entanto, ao longo do processo de reserva, surgem várias opções adicionais que aumentam significativamente o valor final do bilhete.
Desde a escolha do lugar ao embarque prioritário, passando pelas taxas administrativas ou o simples ato de levar uma mala, os custos acumulam-se. Para quem não estiver atento, a fatura final pode ser muito diferente do anunciado. Um novo estudo analisou precisamente estes custos, revelando quais são as companhias que mais cobram pelos chamados “custos escondidos”.
Estudo comparou preços entre várias companhias
A análise foi feita pela plataforma financeira Tradingpedia, citada pelo Daily Express, que comparou os custos totais de uma viagem entre Londres e Roma no dia 21 de julho, utilizando várias companhias aéreas de baixo custo europeias. O estudo considerou o preço inicial e depois somou os custos de serviços habitualmente requisitados: bagagem de porão, seleção de lugar, check-in no aeroporto e outras taxas administrativas. O objetivo foi determinar qual das companhias apresenta a maior discrepância entre o valor base e o total pago pelo passageiro médio.
Wizz Air lidera no valor total de custos adicionais
A companhia Wizz Air destacou-se por apresentar o valor mais elevado em custos adicionais. Para a rota analisada, o total de encargos extra ultrapassou os 260 euros.
Entre os principais valores incluídos estavam cerca de 46 euros por uma mala de porão, 33 euros pelo check-in no aeroporto e quase 11 euros em taxa de reserva online. A isto soma-se uma taxa administrativa de cerca de 10 euros, que não pode ser evitada. Ainda que nem todos estes serviços sejam obrigatórios, muitos passageiros acabam por pagá-los, seja por necessidade ou conveniência.
Diferenças ligeiras entre companhias low cost
Apesar de liderar a tabela, a Wizz Air não foi a única com encargos consideráveis. A Ryanair apresentou um custo total muito semelhante: cerca de 257 euros com os mesmos serviços adicionados, incluindo 29 euros de taxa administrativa. A Vueling ficou logo atrás, com aproximadamente 248 euros, enquanto a easyJet registou um total de cerca de 243 euros. Estas quatro companhias apresentaram valores muito próximos entre si, demonstrando que os chamados “custos escondidos” são uma realidade transversal ao setor low cost.
Entre as companhias analisadas, segundo a mesma fonte, a Jet2 destacou-se pelo valor baixo nos custos adicionais, com um total de cerca de 82 euros. Neste caso, uma mala de porão custava perto de 47 euros. A Norwegian registou custos na ordem dos 109 euros, enquanto a British Airways apresentou o valor mais baixo do estudo, com cerca de 72 euros em serviços adicionais. A diferença entre as companhias é significativa, mas reflete também os diferentes modelos de negócio adotados por cada uma.
A questão da bagagem de mão gratuita
Um aspeto que influencia os resultados é o facto de algumas companhias cobrarem pela bagagem de mão. A Wizz Air, por exemplo, não cobra este item, ao contrário da Ryanair, que exige cerca de 29 euros por mala de cabine.
Este fator pode alterar a perceção sobre os custos, consoante os hábitos de viagem dos passageiros. Quem viaja apenas com bagagem de mão pode poupar, mas quem precisa de mais espaço terá de pagar por isso. É por isso fundamental verificar com atenção o que está incluído na tarifa antes de concluir a compra.
Mensagem das companhias ao consumidor
Em resposta ao estudo, a Wizz Air referiu que a sua política visa oferecer preços base muito reduzidos, permitindo ao passageiro pagar apenas pelos serviços que pretende utilizar, de acordo com a fonte acima citada. A empresa salientou ainda que é transparente nos custos, e que os passageiros têm a liberdade de personalizar a sua experiência de voo conforme o orçamento disponível. Esta abordagem é comum entre as companhias low cost, que procuram atrair clientes com preços iniciais baixos, mas compensam com serviços pagos à parte.
Diferença entre preço anunciado e valor final
O estudo alerta para a diferença entre o preço visível nas pesquisas iniciais e o valor efetivamente pago no final do processo de reserva. Muitos passageiros são atraídos por tarifas promocionais, mas acabam por pagar o dobro ou mais, consoante as escolhas feitas ao longo da reserva. Para evitar surpresas, é aconselhável simular todo o processo até ao fim e verificar todas as taxas antes de confirmar a compra.
Lista comparativa dos custos adicionais
De acordo com o estudo da Tradingpedia, citado pela mesma fonte, os custos totais adicionais por companhia aérea foram os seguintes:
- Wizz Air: 260€
- Ryanair: 257€
- Vueling: 248€
- easyJet: 243€
- Norwegian: 109€
- Jet2: 82€
- British Airways: 72€
Estes valores, segundo o Daily Express, têm como base a simulação de um passageiro com um conjunto de serviços considerados habituais numa viagem de férias.
Com a crescente segmentação dos serviços, o preço base de um voo representa apenas uma parte do custo total. Quem viaja deve ter isso em conta no momento de comparar opções. O mais barato à primeira vista pode não ser a melhor escolha no final. Avaliar o que está incluído e prever as necessidades reais pode evitar encargos inesperados. Numa altura em que o turismo está em plena retoma, o planeamento rigoroso volta a ser um ‘aliado’ indispensável.
















