O acidente do voo AI188 da Air India, ocorrido a 12 de junho, voltou a trazer atenção mediática à segurança na aviação. Entre as 242 pessoas a bordo, apenas um passageiro sobreviveu: Ramesh Vishwash Kumar, de 38 anos, consultor britânico, que seguia no assento 11A, junto a uma saída de emergência. Este detalhe, repetido noutro acidente anterior, levanta dúvidas sobre a eventual existência de um “assento milagroso”.
Um lugar que gera curiosidade
Em 1998, o cantor tailandês James Ruangsak Loychusak também sobreviveu a um acidente aéreo a partir do assento 11A. Estas coincidências alimentam teorias, mas os especialistas rejeitam a ideia de um lugar mais seguro por si só.
Anton Radchenko, CEO da plataforma AirAdvisor, citado pela Sapo Viagens, afirma que não existe um “assento milagroso”, como se tem chamado ao 11A. Fatores como proximidade de saídas, acesso ao corredor e estrutura da cabine podem ter impacto, mas a sorte continua a ser decisiva em muitos casos.
Dados que alimentam a discussão
Estudos anteriores apontam padrões. Um artigo da Popular Mechanics, com base em dados desde 1971, concluiu que os passageiros na parte traseira do avião têm maiores hipóteses de sobrevivência em alguns tipos de acidente. Já uma análise feita pela revista Time, com dados da FAA, indicou que os assentos mais atrás registam uma taxa de sobrevivência de cerca de 68%, face a 61% ou 62% nas partes dianteira e central.
Sem garantias absolutas
Radchenko alerta que estes números representam médias e não certezas. Cada acidente é único e a segurança depende de múltiplos fatores, refere a mesma fonte. A aviação moderna é desenhada para proteger todos os passageiros, independentemente da sua posição a bordo.
Não existe um “assento dourado”, como muitos podem pensar que o é o 11A. O que faz diferença são ações práticas e o cumprimento rigoroso das orientações de segurança fornecidas pela tripulação.
Preparação faz a diferença
Saber onde estão as saídas de emergência é essencial. Contar o número de filas entre o assento e a saída mais próxima pode ajudar numa evacuação com fumo ou pouca visibilidade. Ler o cartão de segurança e ouvir as instruções da tripulação continua a ser uma das medidas mais simples e eficazes ao alcance de qualquer passageiro.
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O que pode aumentar a segurança
Usar roupa confortável e calçado fechado facilita os movimentos. Manter o cinto colocado durante todo o voo é fundamental, já que as turbulências são a principal causa de ferimentos a bordo.
Descolagem e aterragem são momentos críticos. De acordo com a fonte acima citada, evitar distrações e ouvir com atenção as instruções pode fazer a diferença em caso de emergência.
Comportamentos a evitar
Evitar o consumo excessivo de álcool reduz o risco de desorientação. Auscultadores devem ser retirados sempre que há avisos de segurança, pois contêm informações relevantes mesmo para quem viaja com frequência. O tempo de reação é vital. Agir com rapidez e manter a calma pode ser determinante para sair da aeronave com segurança.
Em caso de evacuação
Deixar toda a bagagem para trás é essencial. Em 2024, no acidente da Japan Airlines em Tóquio, 379 passageiros sobreviveram graças à evacuação rápida e disciplinada, sem recolher objetos pessoais.
Confiar na tripulação, que recebe formação específica para lidar com emergências, é outra medida que aumenta a probabilidade de sucesso numa situação crítica, segundo a Sapo Viagens.
Segurança continua elevada
Apesar de incidentes pontuais, a aviação comercial mantém-se como um dos meios de transporte mais seguros do mundo. Os acidentes graves são raros e as aeronaves modernas são submetidas a testes exigentes. O registo global da aviação tem vindo a melhorar ano após ano, com taxas de incidentes a descer graças à evolução tecnológica e aos procedimentos de segurança implementados.
A parte traseira do avião não é estruturalmente mais resistente, mas tende a sofrer menos impacto direto em colisões frontais, o que pode explicar os dados estatísticos.
Em simulações de acidentes, passageiros que evacuam em menos de 90 segundos têm maiores hipóteses de sobrevivência. Esta janela de tempo está na base do desenho das normas de segurança em vigor.
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