Em cada voo comercial, há rotinas que já consideramos normais. O serviço de bar a bordo é uma dessas práticas: faz parte da experiência de viajar e, em voos longos, é até motivo de entusiasmo para muitos passageiros. Mas há pormenores sobre estas operações em altitude que poucos imaginam. Um deles envolve uma bebida muito popular a bordo do avião, e que parece causar mais problemas do que prazer à tripulação.
Quem costuma viajar de avião sabe que, ao longo do voo, a distribuição de bebidas é um dos momentos mais aguardados. Em muitas companhias aéreas, sobretudo em rotas internacionais, este serviço está incluído no preço e oferece bebidas com e sem álcool. Entre os pedidos mais comuns estão águas, sumos, refrigerantes e bebidas quentes. Tudo parece simples, mas nem sempre é assim para quem serve.
No blog These Gold Wings, uma comissária de bordo que assina como “Jet”, citada pelo Huffington Post, revelou qual é, na sua opinião, a pior bebida para servir a bordo de um avião. E a escolha pode surpreender quem está habituado a pedi-la. Trata-se da Diet Coke (equivalente a Coca-Cola Zero). Segundo a profissional, este refrigerante causa um verdadeiro incómodo à equipa de cabine, atrasando o serviço e criando dificuldades operacionais.
De acordo com “Jet”, o problema não está no sabor nem na preferência dos passageiros, mas sim na forma como a bebida se ‘comporta’ em altitude. A pressão dentro da cabine, que corresponde a uma altitude entre os 7.000 e os 8.000 pés, faz com que os refrigerantes produzam mais espuma do que o habitual. Quando se abre uma lata de Diet Coke e se tenta vertê-la para um copo, a espuma sobe rapidamente e é preciso esperar longos segundos até conseguir continuar o processo. Isso, num serviço com dezenas ou centenas de passageiros, atrasa tudo.
Espuma persistente e difícil de controlar
A comissária, citada pela mesma fonte, explica que, ao contrário de outros refrigerantes, a Diet Coke produz uma espuma mais densa e persistente. A própria composição do produto ajuda a explicar o porquê.
Segundo dados citados pela imprensa internacional, as bebidas dietéticas têm uma viscosidade ligeiramente superior, o que estabiliza as bolhas e faz com que durem mais tempo no copo.
Mais popular, mais notada
É provável que outras bebidas light provoquem o mesmo efeito. No entanto, a Diet Coke é uma das mais pedidas a bordo, o que aumenta a sua visibilidade entre a equipa de bordo como um fator de atraso constante. A comissária conta que, em voos muito concorridos, quando vários passageiros pedem Diet Coke, começa por as servir todas de uma vez e só depois regressa a cada copo, quando a espuma já desceu.
Um truque para contornar o problema
“Jet” admite que, com a experiência, foi aprendendo a lidar com esta situação. Criou até o seu próprio método para verter a bebida com menos espuma, embora continue a ser mais demorado do que outras opções.
Mesmo assim, deixa claro que não se importa com os pedidos dos passageiros e que faz tudo com o mesmo profissionalismo. Apenas partilha esta curiosidade como forma de mostrar o que acontece nos bastidores de um voo.
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Pressão dentro e fora da lata
Para perceber melhor este fenómeno, é importante lembrar que, dentro da lata, a pressão mantém-se constante. O que muda é a pressão fora da lata, no interior da cabine.
É essa diferença que faz com que as bolhas se libertem com mais força e a espuma suba rapidamente, como explica o site The Real Review, citado pela mesma fonte. O mesmo acontece, por exemplo, com as garrafas de champanhe em altitude.
Impacto real no serviço de bordo
Apesar de parecer um pormenor, estas pequenas dificuldades acumulam-se durante o voo. Quando há dezenas de passageiros a aguardar pelas suas bebidas, qualquer atraso ou obstáculo tem impacto no ritmo do serviço. A Diet Coke, com o seu comportamento imprevisível no ar, obriga a equipa a trabalhar com mais atenção e paciência. Nem sempre isso é possível em voos mais curtos ou com elevada ocupação.
Efeitos da altitude no corpo
Para além dos efeitos em qualquer bebida, a pressão reduzida dentro da cabine do avião também afeta o corpo humano. É comum sentir tonturas, secura na garganta ou sonolência durante o voo.
Por isso mesmo, algumas bebidas têm efeitos mais fortes a bordo. O álcool, por exemplo, tende a fazer mais efeito. A mesma lógica aplica-se à sensação de sabor, que pode ficar ligeiramente alterada, refere o Huffington Post.
O lado que os passageiros não veem
Este é apenas um exemplo dos muitos detalhes que acontecem durante um voo e que passam despercebidos a quem viaja. Para os profissionais de bordo, cada bebida servida tem de ser pensada com atenção, sobretudo em condições especiais. A revelação feita por “Jet” levanta um pouco o véu sobre a complexidade das tarefas de quem trabalha nos ares. Um simples refrigerante pode transformar-se num desafio a 30 mil pés de altitude.
Na próxima vez que embarcar num avião, se quiser facilitar o trabalho da tripulação, talvez possa considerar pedir uma bebida diferente. A Diet Coke continua a estar disponível, mas agora já sabe que há uma razão para demorar mais um pouco. A aviação é feita de regras, segurança e também muitos pequenos detalhes. E, por vezes, o que parece trivial, como a escolha de um refrigerante, faz mesmo a diferença.
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