Lavar roupa com água fria poupa energia e protege algumas fibras, mas há oito tipos de peças que, segundo especialistas em cuidados têxteis, não deviam ir à máquina nesse modo, sobretudo por razões de higiene e eficácia na remoção de gordura e sujidade. A recomendação foi destacada num artigo do Better Homes & Gardens, com contributos de Kim Romine, da Procter & Gamble.
A lógica é simples: temperaturas mais altas ajudam o detergente a trabalhar melhor em certos cenários e podem reduzir microrganismos quando a roupa está potencialmente contaminada. Isto torna-se particularmente relevante em têxteis que tocaram em alimentos crus, secreções, suor intenso ou resíduos orgânicos, onde “parecer limpo” nem sempre é sinónimo de estar higienizado.
Ao mesmo tempo, não é um convite a lavar tudo a quente: a própria especialista alerta para riscos de encolhimento ou desbotamento e reforça a regra de ouro de verificar a etiqueta de cuidados antes de escolher o programa. A ideia é usar água quente de forma seletiva, onde faz mesmo diferença.
Porque a água fria falha nestes casos
O primeiro grupo é o dos têxteis de cozinha: aventais, panos e pegas. Como estão em contacto com alimentos e superfícies, podem tornar-se focos de contaminação cruzada e, por isso, recomenda-se lavagem frequente num ciclo quente, sobretudo quando há contacto com carne crua.
A seguir vêm as manchas de gordura (roupa e têxteis manchados por óleos e gorduras). Aqui, água fria pode “fixar” a película gordurosa e dificultar a remoção, enquanto temperaturas mais altas ajudam a dissolver melhor estes resíduos, desde que o tecido o suporte.
Um detalhe importante: há exceções em que o “quente” não é o primeiro passo. Manchas proteicas, como sangue, leite ou alguns alimentos, podem ficar mais difíceis de remover se forem diretamente para água quente; o mais seguro é pré-tratar e enxaguar primeiro a frio, e só depois lavar conforme o tecido permitir.
Quando a questão é higiene e contágio
Outro ponto sensível são peças usadas por alguém que esteve doente, e, com ainda mais razão, quando há suspeita de infeção contagiosa. Nestas situações, a prioridade é reduzir o risco de transmissão dentro de casa, lavando em temperatura elevada e seguindo boas práticas de manuseamento (por exemplo, evitar sacudir a roupa suja).
As recomendações de controlo de infeção apontam para a eficácia de lavagens a quente para reduzir microrganismos, frequentemente referindo temperaturas elevadas em ambientes de saúde, e sublinham que o detergente e, quando apropriado, a lixívia podem aumentar a margem de segurança. Em casa, isso traduz-se em escolher programas “quentes” ou “higiene” quando a roupa está potencialmente contaminada.
Também entram aqui as peças muito sujas (por exemplo, roupa de jardim, lama intensa, suor pesado) e a roupa de trabalho contaminada. Se houver contacto com substâncias potencialmente perigosas, a orientação é lavar separadamente e o mais cedo possível, para evitar transferências para outras peças.
Bebés e animais: o que costuma ser esquecido
Fraldas de pano e roupa de bebé são outro caso típico em que a água fria costuma falhar. Há orientações especializadas que recomendam rotinas de lavagem em água morna/quente (por exemplo, 40 ºC a 60 ºC) para assegurar limpeza profunda e reduzir odores persistentes, ajustando sempre ao fabricante e ao material.
Por fim, e segundo o Better Homes & Gardens, camas, toalhas e brinquedos têxteis de animais de estimação. Além dos odores, há pelo, sujidade e microrganismos associados ao ambiente e à pele do animal, e a lavagem em ciclo quente tende a ser mais eficaz para “reset” de higiene, sobretudo quando a peça vai voltar a estar em contacto com sofás, camas e crianças.
Mesmo nestes casos, vale uma regra prática: se a peça for delicada, prefira um ciclo morno, aumente a dose adequada de detergente, use um reforço próprio (quando indicado) e aposte numa secagem completa. Autoridades de segurança alimentar também lembram que panos húmidos e mal secos favorecem proliferação, pelo que secar bem é tão importante quanto lavar.
Como mudar sem estragar a roupa (nem a carteira)
Para aplicar estas recomendações sem “rebentar” a conta de energia, a chave é a seleção: mantenha água fria para a roupa pouco suja e sem risco, e reserve água morna/quente para os oito cenários acima. E, sempre que usar quente, confirme etiquetas e evite misturar peças sensíveis com as que precisam de lavagem mais agressiva.
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