Viajar de avião continua a ser uma das formas mais rápidas de percorrer longas distâncias. Ainda assim, há quem sinta que os tempos de voo parecem estar ficar mais longos. Se tem a sensação de que os voos estão a demorar mais tempo do que antigamente, não está enganado. Os tempos de viagem estão mesmo a aumentar, mas não porque os aviões estejam mais lentos.
A técnica tem um nome: chama-se padding ou, em português, preenchimento. Consiste em adicionar minutos extra ao tempo estimado de voo, criando uma folga que ajuda a manter os horários anunciados, mesmo quando há pequenos atrasos pelo caminho.
Na prática, esta margem de segurança permite às companhias dizer que chegaram dentro do tempo previsto, quando, na verdade, o voo teve ligeiros atrasos, refere a Reader’s Digest. É uma forma discreta de melhorar os números de pontualidade e deixar os passageiros mais satisfeitos. “It’s not your imagination”, refere a mesma fonte, o que pode ser traduzido para “Não é impressão sua”.
Um truque que lembra um velho hábito
É como combinar um encontro com alguém que está sempre atrasado e dizer-lhe para aparecer meia hora antes. A lógica é semelhante: as companhias aéreas jogam com o tempo para evitar frustrações e queixas. O objetivo é garantir que o voo chega “a horas”, mesmo que tenha havido um ligeiro atraso na partida, uma espera na pista ou uma aterragem mais demorada do que o previsto.
Com esta margem extra, o passageiro sente que tudo correu bem e, muitas vezes, até tem a sensação de ter chegado antes do esperado, mesmo que o voo tenha sido mais longo, refere a mesma fonte.
O céu está cada vez mais ‘cheio‘
Com o aumento do número de voos, o espaço aéreo europeu está mais congestionado. Tal como acontece nas estradas, o tráfego intenso obriga a mudanças de rota, ajustes de velocidade e maior cuidado na gestão dos horários.
Além disso, os controladores aéreos têm de garantir maior segurança, o que pode implicar tempos de espera antes da descolagem ou da aterragem. Tudo isso influencia a duração total da viagem. Estas alterações tornam mais difícil cumprir os horários com rigor. Daí que o “acolchoamento” dos tempos de voo se tenha tornado uma prática comum na aviação comercial.
Inverno complica ainda mais os horários
Durante os meses frios, os voos enfrentam obstáculos adicionais. As aeronaves têm de ser descongeladas, as pistas ficam escorregadias e as condições meteorológicas obrigam a mais precauções.
Tempestades, nevoeiros ou ventos fortes podem obrigar a esperar mais tempo antes da descolagem ou a mudar a rota a meio do percurso, de acordo com a fonte acima citada. Tudo isso tem impacto nos horários e na gestão dos voos. Para evitar que os passageiros sintam estes atrasos de forma direta, as companhias preferem ajustar previamente os horários, criando espaço para estes imprevistos.
Melhor voar cedo e a meio da semana
Para quem quer minimizar os riscos de atrasos, o melhor é marcar voos nas primeiras horas da manhã. Nessa altura, os aviões já estão no aeroporto, as tripulações estão frescas e ainda não há o efeito acumulado de atrasos.
Além disso, voar às terças ou quartas-feiras é geralmente mais tranquilo. Nestes dias, a procura é menor, os aeroportos estão menos cheios e os bilhetes costumam ser mais baratos.
Estas escolhas ajudam a começar a viagem ‘com o pé direito’ e a evitar surpresas desagradáveis logo à partida.
Ferramentas úteis para acompanhar o voo
Hoje em dia, existem várias aplicações que permitem seguir o voo em tempo real. Estas ferramentas mostram alterações, atrasos e até o percurso exato da aeronave, dando mais controlo ao passageiro.
Ao acompanhar o voo ao minuto, é possível saber se o avião está a descolar a horas, quanto tempo falta até à chegada ou se houve mudança de rota.
Estas aplicações são especialmente úteis quando se têm escalas apertadas ou alguém à espera no destino, refere a Reader’s Digest. A tecnologia, nestes casos, faz a diferença.
Pontualidade ajustada
Para muitos passageiros, a pontualidade de um voo é um fator decisivo na avaliação da companhia. Por isso, as empresas fazem o que podem para que os horários sejam cumpridos, nem que isso implique ajustar o tempo total de viagem.
Com os novos desafios da aviação, esta prática de preencher os horários pode até fazer sentido. Mas não deixa de ser curioso que, mesmo com aviões rápidos e eficientes, os tempos de voo continuem a aumentar. No fim de contas, o que conta é chegar bem e a horas, mesmo que o relógio revele o contrário.
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