As baratas são uma das pragas urbanas mais detestadas pelos portugueses e, durante o verão, surgem com mais frequência em casas, garagens, esgotos e até cozinhas. Apesar do instinto imediato de as esmagar, um enfermeiro avisa que esse gesto pode ter consequências sérias para a saúde.
De acordo com o jornal espanhol El Periódico, o aumento das temperaturas e da humidade cria condições ideais para a proliferação destes insetos, que se reproduzem com rapidez e conseguem sobreviver nos ambientes mais inóspitos. Segundo o enfermeiro Jorge Ángel, “são capazes de aguentar até novecentas vezes o seu peso, recuperar de lesões e sobreviver meses sem comida”.
Transmitem bactérias perigosas
Para além da resistência física, o principal perigo está nas bactérias que transportam. O contacto com superfícies alimentares ou zonas de uso frequente torna-as potenciais transmissoras de doenças graves. “Têm muitas bactérias”, explica Jorge Ángel, acrescentando que entre os agentes patogénicos estão a salmonela, o estreptococo e o estafilococo.
Estas bactérias podem provocar desde infeções intestinais até febre tifoide. O maior risco, segundo o especialista, ocorre no momento em que a barata é esmagada. Ao morrer, os seus fluidos corporais espalham-se pelo ambiente, contaminando o local e facilitando a transmissão dos microrganismos.
Evite o contacto direto
Apesar de parecer uma solução rápida, esmagar baratas pode ser contraproducente. A recomendação dos especialistas é clara: evitar o contacto direto e recorrer a métodos mais higiénicos e eficazes. Entre as alternativas apontadas por Jorge Ángel estão os sprays inseticidas e as armadilhas específicas para baratas.
Estes produtos eliminam os insetos sem libertar os fluidos internos, reduzindo o risco de contaminação de alimentos ou utensílios domésticos. Também facilitam a remoção segura dos cadáveres, evitando o contacto manual.
Verão agrava o problema
Com a chegada do calor, os alertas aumentam. A acumulação de lixo em zonas urbanas, aliada à humidade típica da estação, contribui para o aparecimento destes insetos em maior número. Por isso, reforçar a limpeza e selar entradas como ralos ou frestas pode ajudar a manter as baratas afastadas.
A presença de baratas não está apenas associada a falta de higiene, sendo muitas vezes consequência de falhas estruturais nos edifícios ou da proximidade com redes de esgoto. Nesses casos, é fundamental procurar apoio especializado.
Medidas preventivas são fundamentais
Para além dos produtos de eliminação, os técnicos de saúde pública citados pelo El Periódico aconselham a manutenção regular de esgotos e a eliminação de fontes de humidade. Evitar deixar restos de comida ou água expostos é outra medida simples com grande impacto na prevenção.
Num período em que as pragas aumentam, a sensibilização torna-se essencial. Esmagar baratas pode parecer inofensivo, mas os riscos para a saúde justificam uma abordagem mais cuidada e informada.
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